5 falsas crenças sobre as crianças e o confinamento

O coronavírus fez com que milhões de crianças não pudessem sair para brincar ao sol. E há certas coisas que os adultos devem saber.

Emma E. Sánchez

Para iniciar bem este artigo, há que se esclarecer que em nenhum momento estas recomendações têm o propósito ou o interesse em gerar polêmica ou desobedecer às indicações que o governo de seu país tenha dado em relação ao confinamento e contingência sanitária que vivemos em todo o mundo devido ao coronavírus.

O objetivo deste artigo é fornecer-lhe informações que possam lhe proporcionar tranquilidade e refletir para, então, tomar as melhores ações em seu lar e com seus filhos. De acordo?

Dito isto, vamos começar!

Durante este tempo, todos ouvimos inúmeras conversas, opiniões, notícias e inúmeras ideias sobre a COVID-19, algumas verdadeiras e outras alarmistas, especialmente quando se trata de falar sobre as consequências que a pandemia trará aos países e aos seus habitantes. Então, as mães ativam “suas antenas” e afinam os ouvidos para escutar melhor e se manterem atentas; logo nos voltamos à casa ou aos nossos pequenos enquanto processamos toda a informação que recebemos procurando fazer o melhor.

Às vezes, toda essa informação e todas as vozes que ouvimos nos desorientam, nos confundem, nos angustiam e até nos tiram o sono.

Hoje, quero apresentar 5 falsas crenças que se tornaram muito populares e que estão desgastando muito os pais de crianças pequenas.

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1 Crianças morrem de coronavírus muito facilmente

Isto é totalmente falso. São as crianças que têm a taxa de mortalidade mundial mais baixa, bem como de complicações. Embora tenha havido casos de contágio em menores, as complicações são menores e as taxas de recuperação muito altas, o que não acontece infelizmente com as pessoas maiores de 60 anos.

Por isso, não se preocupe, seus filhos vão ficar bem com os cuidados básicos que os governos e a Organização Mundial de Saúde têm preconizado.

2 As crianças devem ser separadas de seus avós porque elas são uma grande fonte de contágio

Mais uma ideia falsa. Muitos assumiram que as crianças são fonte de contágio porque agarram tudo, andam para cima e para baixo e não ficam paradas, e, portanto, podem contaminar os avós, mas as coisas não são assim. Se a família inclui em casa algum avozinho e estão juntos em confinamento, não há motivo para preocupar se todos guardam as medidas de higiene e se mantêm seguros.

Quando os avós vivem em outra casa, então a indicação é NÃO ir visitá-los, nem filhos nem netos, por serem eles, uma população sensível; mas não porque as crianças sejam a fonte do contágio. Os avós podem ficar doentes se algum de nós lhes levar o vírus ou se eles saem para lugares com muita gente.

Por outro lado, como educadora, posso dizer que se você explica para as crianças o que está acontecendo e por que agora é melhor fazer chamadas de vídeo para os avós em vez de vê-los, elas vão entender e até fazer propostas para fazê-los sentir-se amados e acompanhados.

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3 As crianças devem estar em confinamento total

Essa indicação varia de país para país. A China foi firme quanto ao confinamento, enquanto outros países, como a França, A Bélgica, a Suíça ou a Áustria aderiram às indicações da OMS que permitem que as crianças saiam para pátios, inclusive para dar uma volta perto de casa – sempre com um adulto, com as medidas de distanciamento e com máscaras.

No México, onde moro, temos o convite para ficar em casa, e enquanto escrevo este artigo, posso dizer que vejo as crianças dos meus vizinhos brincando de manhã nos seus pátios, mas não nas lojas ou nas ruas.

Meu convite é que cada família reveja as disposições oficiais de seu próprio país e as siga, que seja muito prudente e não coloque em risco seus filhos levando-os a grandes concentrações de pessoas, inclusive de familiares ou amigos, muito menos a lojas a passear pela cidade.

As crianças devem aprender por meio do exemplo a lavar as mãos constantemente, evitar tocar seus rostos, comer saudavelmente, brincar, estudar, descansar e ser solidários nestes dias tão particulares, devem também aprender a obedecer às recomendações e às leis de seu país, mas sem medo ou ameaças.

4 As crianças não são afetadas pelo confinamento, adaptam-se muito bem a tudo

Esta é uma ideia interessante pela complexidade que envolve. Qualquer criança normal e saudável precisa de brincadeiras e atividades ao ar livre para o seu desenvolvimento ideal. Quando situações ocorrem, como no caso desta pandemia, é buscar os meios possíveis para que as crianças possam sair ao sol ou ao ar livre pelo menos uns minutos para se movimentarem e mudar um pouco seu cenário de vida momentâneo.

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O confinamento torna-se um verdadeiro desafio para as crianças quando:

Passam todo o tempo na internet ou em videogames.

A casa é muito pequena.

Vivem em meio a ambientes hostis ou com pais cheios de medo, estressados ou pouco pacientes.

Interagem apenas com adultos.

Está em um meio violento, é agredida ou é o alvo da frustração dos adultos, inclusive do abuso de algum familiar.

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O confinamento afeta, de fato, as crianças quando vivem uma das situações anteriores; neste caso, há muitos estudos sobre crianças refugiadas, que vivem em meio a guerras ou que nascem em prisões. As crianças, como dizíamos no princípio, requerem brincadeiras ao ar livre e em espaços abertos, necessitam tomar sol, precisam de amor, atenções, limites e sobretudo de muitas paciência e tolerância, de pais ou cuidadores compreensivos, empáticos em relação à fase de vida em que estão, e com desejos de ajudá-las a passar esse tempo com aprendizagens positivas, não deixando cicatrizes de nenhum tipo nos menores.

5 Aconteça o que acontecer, elas devem estar estudando e não perder aprendizagens e conteúdos escolares

Outra falsa ideia de quem não está familiarizado com os processos humanos de desenvolvimento e aprendizagem.

Uma professora certamente dirá que todos queremos que nossos filhos aprendam e que seus processos acadêmicos continuem da melhor maneira, mas sabe? Hoje não são a coisa mais importante em suas vidas.

A Educação é e deve ser para a vida

De nada serve saber matemática se à criança é impossível aplicar e usar seus conhecimentos para resolver problemas diários. Hoje o mundo está aprendendo muitas coisas e a lembrar-se de muito mais que tínhamos esquecido.

Hoje, o mais importante é que aprendam e vivam os cuidados de saúde física e mental e as crianças estão aprendendo lições intensivas em seu lar como nunca antes, estão vendo seus pais dia e noite conviver, resolver problemas, discutir, organizar a vida diária, as refeições, organizar o dinheiro, lidar com o desespero, o desemprego e a angústia, estão aprendendo a dialogar, a ser solidárias, a trabalhar, ou não, juntos como família. Essas lições, nós, professores, não podemos dar na sala de aula.

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Dedique tempo para que as crianças estudem e façam os deveres da escola, mas com a clareza que as lições que você lhes dá sejam prioritárias, as mais importantes e valiosas.

Convido você a fazer desta pandemia de coronavírus um tempo de boas lembranças para seus filhos, convido-o a ser o adulto que você teria gostado de ter por perto, quando era criança.

Esta crise passará, mas como seus filhos se sentiram durante ela, isso permanecerá.

Traduzido e adaptado por Stael Pedrosa do original 5 falsas creencias sobre los niños y el confinamiento

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Emma E. Sánchez

Casada y madre de tres hijas. Interesada en el fortalecimiento y formación de la mujer, la familia y el hogar.