Tráfico humano: um perigo real no Brasil e no mundo

Entenda o modus operandi do tráfego de pessoas e proteja a sua família. Lembre-se de espalhar essas informações para alertar também seus amigos!

Erika Strassburger

Quando falamos de tráfico de pessoas, nosso pensamento é remetido automaticamente para o passado, à época da escravidão. Mas, infelizmente, é uma prática que não foi completamente abolida, apenas ganhou nova roupagem. E ainda existe por ser altamente lucrativa.

O que é considerado tráfico humano?

Nos termos da legislação brasileira, tráfico humano “consiste em agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso”.

Quem são as vítimas?

Segundo artigo publicado no site do Governo Federal – Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, “as vítimas têm perfis muito variados, podem ser mulheres, crianças, adolescentes, pessoas LGBT, imigrantes, homens.”

Segundo relatório da UNODC de 2018, foram relatados 25 mil casos de tráfico de pessoas em 2016, sendo que a maioria das vítimas foram mulheres e meninas (72%). Os outros 21% foram homens e meninos.

Uma característica que as vítimas têm em comum: a vulnerabilidade. É o que as deixam “expostas a promessas e ofertas enganosas“. Os aliciadores geralmente focam em pessoas em condições financeiras desfavoráveis, com boa aparência ou boas condições de saúde, ou que não têm fortes laços familiares.  

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Razões pelas quais pessoas são traficadas

Como foi dito no início, a razão para o tráfico humano ainda existir é principalmente financeira. Sempre que há uma transação desse tipo, alguém acaba embolsando muito dinheiro. E a vítima geralmente não ganha dada. Pelo contrário, ela perde a liberdade, apanha, passa fome, é violada de todas as maneiras.

As pessoas são traficadas:

  • Para exploração sexual
  • Para trabalho em condições semelhantes às de escravidão
  • Para serem submetidas a outros tipos de servidão
  • Para remoção de órgãos, tecidos ou partes do corpo
  • Para adoção ilegal

Como a vítima é abordada

1. Abordagem pessoal com promessa de uma vida melhor

O aliciador aborda a vítima em shoppings, na rua, em festas e até no trabalho (como relatado na história abaixo) com promessas tentadoras, como de trabalho glamoroso ou com altos ganhos, seja no Brasil ou no exterior.

Recentemente, assisti a um vídeo no canal Sobrevivendo na Turquia em que uma moça relatou como sofreu uma tentativa de aliciamento. Ela trabalhava em uma joalheira de uma cidadezinha no interior de Minas, e um homem muito bonito e bem vestido, após ter feito uma compra, perguntou a ela se alguma vez já tinha pensado em trabalhar como modelo em uma cidade brasileira maior. Ele a orientou a ir em determinado endereço no centro da cidade para uma entrevista.

Uma conhecida, achando a história muito estranha, ofereceu-se para ir junto. Essa moça ficou aguardando-a do lado de fora do prédio.

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O homem começou a fazer perguntas muito estranhas, como se ela tinha passaporte, qual era seu tipo sanguíneo, se havia caso de câncer na família, se ela morava com o pai e a mãe, como era o relacionamento com os pais, onde ela morava etc. Aquilo fez acender um sinal de alerta.

A moça que esperou do lado de fora ligou algumas vezes durante a entrevista para ver se estava tudo bem. Como estava percebendo que havia algo de estranho, ela disse que era o pai que estava ligando. Em determinado momento, ela mentiu que o pai era policial civil, e o homem encerrou a entrevista rapidamente. Ele nunca mais foi visto na cidade.

Eles também abordam as vítimas que estão a passeio no exterior. Neste caso, eles podem até mesmo colocar alguma droga em sua bebida e levá-la para um cativeiro.

2. Nas rede sociais ou em apps de idiomas

O aliciador começa trocando mensagens de texto, depois pede o número de celular, pede para fazer chamadas de vídeo, cria um vínculo emocional com a vítima, muitas vezes dizendo que está apaixonado. Convida-a para ir conhecê-lo em seu país, geralmente Europa ou Oriente Médio, seja para namoro (até em casamento ele fala) ou com promessa de emprego e uma vida melhor.

Alguns aliciadores são de dentro de nosso país, mesmo. Eles recrutam a vítima, fazem mil promessas e levam-na para fora do país.

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Chegando lá, eles confiscam o passaporte delas e as mantêm em cárcere privado para os fins que desejam – exploração sexual, trabalho forçado, retirar os órgãos, entre outros.

3. Sequestro

Uma das formas mais dramáticas é o tráfico de crianças. Elas são sequestradas (às vezes até vendidas por seus pais), recebem nova identidade, são adotadas ilegalmente ou são exploradas de todas as formas possíveis.

Adolescentes também são sequestrados, podendo ser levados para o exterior pelas nossas fronteiras, de onde embarcam para outros continentes.

4. Proposta lucrativa de venda de um “órgão não vital”

Algumas vítimas são abordadas com propostas financeiras tentadoras para venderem algum órgão que supostamente não vai fazer falta – como um dos rins ou uma córnea, sendo orientadas a viajar para fora do país para realizar a cirurgia, que, obviamente, vai ocorrer em uma clínica clandestina.

Ali, elas ficam incomunicáveis, retiram seu celular e passaporte. Uma vez anestesiadas, sabe-se lá quais outros órgão vão retirar delas, provavelmente não ficarão vivas para contar a história.

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5. “Dar o filho” para casais estrangeiros

Adolescentes grávidas são induzidas a “dar o filho”, sem que haja uma adoção legal, a casais estrangeiros em troca de alguma compensação financeira e uma vida melhor para a criança.

Outro crime, que está bastante em alta, é o golpe do amor. Seu objetivo principal é extorquir dinheiro das vítimas. Mas se elas acabarem indo para o exterior para um encontro pessoal, também podem acabar em cárcere privado.

Leia: Golpe do Amor pela internet: cuide para não ser a próxima vítima

O tráfico de pessoas é um perigo real. Portanto, peço que compartilhe este artigo com seus familiares e amigos, ninguém está livre de ser abordado por esses criminosos. Precisamos estar por dentro de seu modus operandi.

Lembre-se de manter o canal de comunicação com seus filhos sempre aberto, alertando-os contra estes e outros perigos.

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E, por fim, mantenha as crianças da sua família sempre sob supervisão. Nunca as deixe brincar sozinhas, nem mesmo no quintal de sua casa. O vídeo abaixo é um alerta para todos os pais.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger nasceu em Goiás, mas foi criada no Rio Grande do Sul. Tem bacharelado em Administração de Empresas, trabalha home office para uma empresa gaúcha. Nas horas vagas, faz um trabalho freelance para uma empresa americana. É cristã SUD e mãe de três lindos rapazes, o mais velho com Síndrome de Down.