Primeiros socorros: Como agir quando uma pessoa tem uma convulsão

Imagine que você enfiou um garfo numa tomada de 220 volts. É o que acontece no cérebro durante uma descarga elétrica neuronal anômala, mais conhecida como convulsão.


Stael Ferreira Pedrosa

É assustador ver alguém que você ama tendo uma convulsão. Meu filho mais velho teve problemas de oxigenação pré-natal devido à pressão alta que apresentei durante toda a gravidez. Com isso eu tive pré-eclâmpsia grave e ele nasceu cianótico (arroxeado devido à falta de oxigênio). Apresentou um quadro de TTRN (Taquipneia Transitória do Recém-Nascido) e precisou ficar na incubadora com um aparelho parecido com um capacete chamado HOOD.

Aparentemente ele ficou bem e não teve sequelas. Mas, só aparentemente. Passados um ano e meio, durante uma virose com febre ele teve uma convulsão febril. Foi terrível para mim que não sabia o que estava acontecendo. Foi algo com que tive que lidar por muitos anos e através de muitas viroses. Ele tomou medicamentos até os 12 anos de idade.

O que é convulsão?

A crise convulsiva é uma descarga elétrica cerebral desorganizada. Não existe uma única causa para seu aparecimento. É mais comum em crianças e afeta 1% da população mundial.

Quais as causas?

Pode ser doença de cunho hereditário, epilepsia, problemas durante a gravidez, anóxia de parto (falta de oxigênio na hora do parto), sequelas de doenças como meningites, encefalites ou hemorragias, traumatismo craniano, tumores, derrames ou ainda doença cardíaca, metabólica ou dos rins e fígado, febre alta, crise de privação de álcool ou falta de açúcar no sangue (hipoglicemia), uso de drogas. Em alguns casos nunca se estabelece uma causa, sendo classificada como epilepsia criptogênica.

Como saber se a pessoa está tendo uma crise? Como ela fica?

Existem diferentes tipos de crises convulsivas, dependendo da região cerebral afetada. Alguns sintomas são claros outros nem tanto.

Crise convulsiva generalizada

Abalos generalizados (movimentos musculares desordenados) seguidos de desmaio. Este tipo é grave e exige socorro imediato para evitar lesões cerebrais.

Crises de ausência

O indivíduo fica estático, com os olhos parados e perde a consciência voltando ao normal em seguida.

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Crises parciais complexas

Movimentos estranhos e desordenados, movimento da boca, salivação intensa, arroxeamento ao redor dos lábios, perda parcial da consciência.

Crises parciais simples

De repente o indivíduo apresenta um movimento desordenado e repetitivo em alguma parte do corpo. É incontrolável, dura pouco e a pessoa tem consciência do que está acontecendo.

Convulsão é epilepsia?

Só é considerada epilepsia quando as crises se repetem. Uma convulsão isolada não significa que a pessoa seja epilética.

O que fazer?

1- Tente manter-se calmo.

2 – Deite a pessoa no chão, com a cabeça apoiada e virada para o lado, caso haja vômito ou salivação excessiva, a pessoa não engasga.

3 – Chame socorro imediatamente.

4 – Não tente puxar a língua. A pessoa que está tendo a crise pode cerrar os dentes e causar lesões a quem fizer isso.

5 – Tente manter o ambiente livre de curiosos e bem arejado.

6 – Não dê remédios nem água ou qualquer outro líquido.

7 – Não tente conter seus movimentos.

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Ao contrário do que parece, a pessoa não está morrendo e a crise convulsiva tem duração curta. Caso demore mais que alguns minutos, é necessário levar o paciente para um hospital.

Após a crise, o paciente pode cair em sono profundo. Não interrompa.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito através de consulta médica e relato da sintomatologia. Em alguns casos o problema não aparece nos exames como Eletroencefalograma ou mesmo tomografia, principalmente nos casos de crianças que têm convulsão febril. O que não dispensa de forma alguma o uso de anticonvulsivantes. O doente deve ser encaminhado a um neurologista para avaliação e tratamento.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.