Por que cantar para seu bebê?

A música acalma, transmite segurança e estreita laços familiares.


Michele Coronetti

Ser mãe ou pai traz vários desafios e um deles é colocar o bebê para dormir. Muitos pais utilizam recursos diversos como um banho morno seguido por uma mamada, shantala, brincar com o bebê até ele cansar ou simplesmente estar próximo e cantar.

Mesmo aqueles pais que nunca cantaram para outras pessoas acabam entoando algumas notas para seus pequenos, algumas vezes com letras decoradas, outras com inventadas ou simplesmente cantarolando melodias sem palavras.

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Talvez seja o instinto maternal e paternal orientando mãezinhas e paizinhos a tranquilizar seus pequeninos e permitir um descanso agradável. Ou será que esse desejo vem porque quando éramos bebês fizeram exatamente a mesma coisa para nós?

Quando meu filho mais velho estava com dezoito anos, estávamos reunidos em família cantando algumas melodias conhecidas e alguém se lembrou de uma específica. Eu logo falei que ela era chata, muito monótona e calma demais. Meu filho respondeu que era uma linda canção, que ele ouvia poucas pessoas cantarem, mas sempre que ouvia o sentimento era muito acolhedor, que transmitia segurança e paz. Foi então que eu me lembrei que cantava esta canção para ele apenas nos seus primeiros meses de vida, trocando o repertório conforme seu crescimento.

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Estudos mostram que recém-nascidos reconhecem a voz da mãe desde a gestação. Psiquiatras descobriram que bebês entre 3 e 6 meses podem formar memórias de longo prazo. Sendo assim, pais são os maiores responsáveis por formar as primeiras memórias dos filhos, que podem ser recordadas nitidamente ou não conforme a criança cresce. Estas memórias podem parecer bloqueadas porque o bebê ainda não possui a linguagem, mas estão lá, e fluirão em algum momento mesmo que a criança, adolescente ou adulto não reconheça como sendo uma lembrança do seu passado remoto. Sendo música, fica mais fácil de ser reconhecida.

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Cantar para um bebê é transmitir muito mais que apenas sons. Não apenas na hora do soninho, mas nas brincadeiras e em preparação para atividades de rotina como cantar antes da refeição, durante o banho, em viagens e reuniões familiares. A música transmitirá sentimentos e ensinamentos embutidos nos gestos, palavras e melodias. Há muita música excelente para crianças aprenderem o nome das partes do corpo, de objetos, dos alimentos, desenvolver a memória, pegar o ritmo e por fim soltar sua própria voz. Pais também podem inventar músicas divertidas e educativas, que para seu espanto perdurarão na família e serão consideradas música.

Os filhos expostos aos sons amáveis dos pais sentem-se mais seguros, são mais felizes, desenvolvem seus sentidos gradualmente de forma divertida e ampliam sua cultura.

Os pais, além de desenvolverem um talento que poderia estar escondido ou sendo pouco usado, são beneficiados pelo estreitamento dos laços criados por esse contato próximo com os filhos e poderão se surpreender com acontecimentos futuros agradáveis.

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Da próxima vez que surgir aquela vontade de cantar para seu bebê, feche os olhos, esqueça a vergonha e solte a voz. Muita coisa boa poderá vir através deste ato de coragem. E com certeza o bebê nunca reclamará da desafinação ou repetição. O que ele sentirá é uma declaração muito clara de que ele é amado.

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Michele Coronetti

Michele Coronetti é secretária, mãe de seis lindos filhos, gosta de cultura e pesquisas genealógicas.