Pais divorciados, JAMAIS usem seus filhos como arma ou escudo de ‘guerra’

Estudos apontam as terríveis consequências e conflitos, imediatos e futuros, na vida dos filhos desenvolvem a Síndrome da Alienação Parental. Confira:

Erika Strassburger

Acordei hoje, abruptamente, bem mais cedo do que eu planejava. Eram três horas da manhã e eu queria dormir, pelo menos, mais umas três horas. Enquanto o sono não voltava, fui checar as últimas notícias – que têm vindo às pencas e de todos os lados, devido ao momento crítico que estamos vivendo (coronavírus, perigo de colapso econômico etc.).

Aproveitei para moderar um pouco um grupo de cristãos no Facebook (com mais de 70 mil membros), de cuja administração faço parte. Uma das minhas colegas de moderação chamou a nossa atenção para um enorme post que estava pendente de aprovação. E foi esse post que me levou a escrever este artigo.

O post era de um pai desesperado por não conseguir ver seus filhos há muito tempo. Logo no início ele diz: “Tenho travado uma luta incansável para ver, estar e cuidar dos meus filhos do primeiro casamento”. Ele conta que a ex-mulher, de quem está separado há cerca três anos (pelo que entendi), está fazendo de tudo para impedir seu contato com os filhos: mudando de endereço seguidamente, bloqueando-o no WhatsApp, trocando os filhos de escola, inventando mentiras etc. Ele diz que buscou recursos judiciais para resolver o problema, e que ainda não foi solucionado pelo fato de a mãe mudar de domicílio com frequência e a justiça não conseguir intimá-la.

No final do post ele escreve: “Estou depressivo, extremamente aflito sem saber dos meus filhos. Essa época de coronavírus só tem potencializado minha dor e sofrimento. Peço a ajuda de vocês.”

Nosso grupo não costuma aprovar esse tipo de postagem, especialmente por ele ter citado nomes e também porque, para sermos justos, teríamos que ouvir a outra parte. No entanto, eu quis ajudá-lo de alguma maneira escrevendo algumas palavras para fomentar a conscientização sobre esse tipo de problema, infelizmente, mais comum do que imaginamos.

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Alienação parental é CRIME

Nem todos os casos de alienação parental são extremos como este. Alguns são até sutis, e ocorrem com as visitas acontecendo normalmente, com os ex-cônjuges se falando.

Em outro artigo, eu escrevi: “Segundo o artigo 2º da Lei nº 12.318, caracteriza-se alienação parenteral, entre outras coisas: desqualificar a conduta do genitor; dificultar o exercício da autoridade de pai ou mãe; dificultar o exercício da convivência com o outro; omitir informações pessoais relevantes dos filhos, como as escolares, médicas, mudança de endereço, entre outras; apresentar falsa denúncia; mudar de domicílio sem justificativa com a intenção de dificultar a convivência com o outro genitor, avós e familiares.”

Em outras palavras, quando o progenitor que tem a guarda dos filhos coloca qualquer empecilho para a visita, desestimula os filhos a estar com o pai (ou a mãe) no período designado para visitação ou faz qualquer tipo de “lavagem cerebral” ou manipulação com o intuito de fazer os filhos verem aquele pai ou mãe como alguém que “os abandonou”, ou “trocou o amor deles por o amor de um(a) amante”, ou qualquer coisa do tipo; está sendo cometido esse crime. O outro genitor é tanto quanto culpado se ficar falando mal do ex para os filhos, ou tentar de qualquer forma incentivar o desprezo, a desobediência ou a perda do amor e da admiração, entre outros.

Você mira no coração do ex e acabar acertando o coração dos filhos

A alienação parental costuma acontecer quando um dos ex-cônjuges se sente vítima da situação que culminou em divórcio: foi traído ou se sente em desvantagem financeira; ou, ainda, se depois do divórcio iniciou um novo relacionamento aparentemente feliz, entre outros. Isto, por vezes, gera muita mágoa, ódio e desejo de vingança. E, perversamente, o ex-cônjuge injustiçado (e, às vezes, até os dois) usa os filhos como arma ou escudo nessa guerra para ferir sentimentos. Miram no coração do ex, mas acertam o coração dos filhos.

Consequências terríveis da alienação parental para os filhos

Sinto-me compelida a falar algo extremamente sério e em tom de advertência: você, que pratica alienação parental, está simplesmente destruindo a vida do seu filho! Não bastasse as tristes consequências do divórcio, potencializá-las por meio da alienação parental é de uma crueldade tamanha, cujas consequências nenhum genitor consciente desejaria para seu pior inimigo.

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Se as pessoas estiverem cientes, talvez parem de olhar um pouco para o seu umbigo e volte sua atenção para quem mais sofre, os filhos.

Síndrome da Alienação Parental

Esse termo foi criado em 1980 por Richard A. Gardner para se referir ao distúrbio desenvolvido por uma criança que é “doutrinada” por um dos genitores para desenvolver  um sentimento de repúdio pelo outro progenitor (quase sempre como parte de uma disputa de custódia), e as tentativas da própria criança deformar a imagem de um dos pais.

Em um artigo sobre Síndrome da Alienação Parental, a psicóloga Aline Jonas, baseada em vários estudos, lista várias consequências e conflitos, imediatos e futuros, na vida de quem desenvolve a síndrome:

  • Quebra de personalidade e transtornos comportamentais (que afetam diretamente o desenvolvimento e construção social )
  • Depressão
  • Abuso de substâncias viciantes
  • Doenças psicossomáticas
  • Dupla personalidade
  • Comportamento hostil
  • Medo
  • Ansiedade
  • Isolamento
  • Insegurança
  • Dificuldades na escola
  • Rejeição
  • Hormônios desregulados
  • Surtos
  • Idealização da imagem do pai

Em consequência disso, a criança aprende ou repete alguns comportamentos dos pais, tais como:

  • Mentira compulsiva
  • Expressar falsas emoções
  • Fazer falsa acusações
  • Manipular as pessoas e situações

Você deseja esse tipo de consequência para o presente e o futuro dos seus filhos?

Se for uma mãe ou pai que ama os filhos, tenho certeza que não. Então, se estiver manipulando seus filhos para desenvolverem sentimentos ruins por seu ex, pare agora mesmo! Possivelmente, ainda dá tempo de reverter os danos causados. Busque ajuda psicológica para eles e, principalmente, para você.

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Seja sensível em relação aos sentimentos deles

Como mãe divorciada, conheço de perto os efeitos de um divórcio na vida dos filhos. Dá uma dor imensa no coração ver como eles ficam. Eles ficam tristes, inseguros, carentes, revoltados (contra aquele que saiu de casa), com raiva, sentem muita saudade. E quando o pai (ou a mãe) só pode vir aos finais de semana, como foi o meu caso, a dor é ainda maior.

Mais do que nunca, eles precisam do nosso amor, de palavras de incentivo, precisam de que falemos bem do pai deles, ressaltemos suas qualidades (sempre há algo bom para evidenciar), que os ajudemos a continuar amando, respeitando e obedecendo-o. Que nos empenhemos em atenuar a saudade, a raiva, a insegurança e outros sentimentos negativos que certamente terão.

É preciso eliminar o desejo de vingança, tentar perdoar de verdade o ex, e se concentrar em promover o melhor ambiente possível para a criação dos filhos, e um relacionamento no mínimo civilizado com o ex, para que eles cresçam física, psicológica e emocionalmente saudáveis.

Leia: 5 ideias terríveis de vingança que mulheres traídas ficam maquinando

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.