Mãe publica foto de sua bebê com um piercing na bochecha; recebe até ameaças de denúncia para lhe tirarem a guarda da filha

“Ela ficou tão linda, não acham? Sei que ela vai gostar, vai me agradecer quando crescer”. O que a levou a fazer isso fará você pensar em seus próprios filhos.

Viviana Dominguez

A escolha é minha! Esse é o meu direito como mãe! 

Enedina Vance decidiu publicar uma foto da filha, em cuja bochecha aparentemente havia sido feito um furo e colocado um piercing, segundo matéria da Univisión. 

A foto continha a seguinte mensagem: 

“Ela ficou tão linda, não acham? Sei que ela vai gostar, vai me agradecer quando crescer”. 

Para gerar ainda mais polêmica, que era o seu intento, ela acrescentou: “Eu sou a mãe dela, ela é MINHA BEBÊ, faço o que eu quiser! Vou tomar todas as decisões por ela até que tenha 18 anos, ela pertence a mim!” 

Para que não restasse qualquer dúvida, ela continuou: “Eu não preciso da permissão de ninguém (…) Isso NÃO é abuso! Se fosse, seria ilegal, mas não é. As pessoas colocam brincos em seus bebês todos os dias, isso não é diferente”. 

Como ela imaginava que iria acontecer, os comentários surgiram imediatamente, desde “péssima mãe” até ameaças de denúncia para lhe tirarem a guarda da pequena”. Mas era exatamente o que ela queria, pois Enedina Vance é uma ativista contra a modificação corporal, isto é, contra a realização de perfurações ou circuncisão em bebês.  

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Uma foto editada para fins de protesto 

Com o intuito de provocar uma discussão aberta a ideias, Enedina pediu para não ser julgada pelo fato de ter decidido colocar um piercing na bochecha da filha, baseando-se no direito que tem, como mãe, de fazer escolhas por ela até ela atingir a maioridade. Com esse propósito, ela expôs seu ponto de vista dizendo: “As pessoas colocam brincos nos bebês todos os dias, isso não é diferente. Ou permitem que o prepúcio do seu recém-nascido seja removido”.  

 Na verdade, essa mãe nunca colocou piercing na filha, pois ela é contra isso e contra qualquer modificação corporal em crianças e recém-nascidos. A foto é o resultado de uma montagem feita no photoshop. 

So I got the baby girl's dimple pierced!! 😲😲😍😍💗💗It looks so cute, right?!! I just know she's gonna love it!! She'll…

Posted by Enedina Vance on Wednesday, June 28, 2017

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Um assunto polêmico 

Enedina atingiu seu objetivo. Por um lado, ela pôde demonstrar as diferenças de opiniões frente a um mesmo tema; por outro, expôs a discrepância entre o porquê de estar certo e ser facilmente aceito, furar a orelha de um bebê, enquanto o ato de perfurar a bochecha é julgado como abuso. 

Pessoalmente, admito que também tenho divergências de pensamento sobre o assunto, porque nasci e cresci em uma cultura em que os furos nas orelhas eram feitos ainda no hospital. A madrinha dava o primeiro par de brincos de ouro de presente, coisa que fiz com a minha filha. Mas, jantando em família neste último domingo, minha filha, que agora é adulta, chegou toda animada na minha casa mostrando os três novos furos que fez nas orelhas, momento em que precisei respirar fundo antes de sorrir. 

Tenho certeza de que, como eu, muitas mães sentem o mesmo. Em algumas ocasiões, está bem; mas, em outras, não concordamos muito. As razões? Podem variar: preconceito, valores religiosos ou simplesmente pela estética. 

É importante definir o que significa esse conceito de modificação corporal, entendendo como tal qualquer alteração feita no corpo da pessoa – piercing, circuncisão, tatuagem, etc., feitas por razões “não médicas”, ou seja, por razões espirituais, sociais ou estéticas. 

Mas há pessoas que simplesmente assumem uma postura firme e decidida, a favor ou contra as perfurações e outras modificações corporais 

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Veja, a seguir, duas posturas distintas unicamente sobre o caso de perfuração da orelha: 

Os que são contra 

Há uma variedade de razões pelas quais as pessoas assumem essa postura. Dizem que é por falta de segurança em termos de saúde, ou porque pode causar alergia ou infecção, ou por terem tido experiências desagradáveis e não querem que suas filhas experimentem o mesmo. Há, ainda, as que não o fazem por convicções pessoais ou por respeito à escolha da filha no futuro. 

Os que são a favor 

Nesse grupo encontramos pessoas que o fazem por questões culturais, ou seja, é algo feito de geração em geração, e algumas têm até uma maneira especial de fazê-lo, geralmente em casa. Há também aquelas pessoas que, por estética, fazem furos extras quando crescem.  

Nos bebês, por razões de segurança, sugere-se o uso de brincos pequenos e presos ao lóbulo da orelha, e não os pendurados. 

Conclusão 

Seja qual for a sua posição sobre o assunto, não existe certo ou errado, já que não há risco à saúde da criança, desde que haja bom senso. Jamais se esqueça do bom gosto e da segurança do bebê. Em minha opinião, os extremos sempre atropelam, de alguma forma, os direitos de nossos filhos. 

Traduzido e adaptado por Erika Strassburger do original  Madre publica foto de su bebé con su mejilla perforada con un arito; recibe hasta amenazas para quitarle la custodia de su hija

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