Inteligência Espiritual ou a bússola do coração, você conhece essa faculdade humana?

Todos já ouviram falar do QI ou QE, no entanto, o QS é pouco conhecido, mesmo sendo vital para dar sentido à vida.

Stael Ferreira Pedrosa

No final do século XX, Danah Zohar, filósofa, física e escritora, e seu marido Ian Marshall, psicólogo e filósofo, desenvolveram o conceito de Inteligência Espiritual e sobre isso escreveram alguns livros. O primeiro e mais popular é QS: Inteligência Espiritual, que veio lançar uma nova luz sobre a complexidade da mente humana.  

Desde o início do século passado já se conhecia o QI (quociente de inteligência) e nos anos 90 surgiu o QE (quociente emocional). Estes quocientes vieram nomear as capacidades de raciocinar e de trabalhar as emoções respectivamente. Porém, para se avaliar o nível de inteligência de uma pessoa, é necessário que ambos os quocientes estejam presentes.

QI e QE

O QI, é o quociente resultante de testes aplicados a quem se deseja medir a capacidade intelectual, a capacidade de abstrair a mente, suas habilidades cognitivas e espaciais, de fazer associações e raciocinar sobre questões lógicas.

Para isso, utiliza-se a fórmula: QI = 100 x idade mental (im)/ idade cronológica (ic). A partir do resultado classifica-se o candidato como:

Gênio – acima de 144 pontos

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Superdotados – entre 130 e 144.

Acima da média – de 115 a 129 pontos;

Média alta – de 100 a 114 pontos;

Média baixa – de 85 a 99 pontos;

Abaixo da média – de 70 a 84 pontos;

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Baixo – de 55 a 69 pontos;

Muito baixo – menos de 55 pontos.

No entanto, esses números não são determinantes exatos das capacidades mentais dos indivíduos. Existem diversos fatores que alteram os resultados, desde o tipo de teste até o momento pessoal em que a pessoa esteja (estresse, ansiedade, etc.), no entanto, o indivíduo que atinge uma alta pontuação, mesmo que uma vez, é considerado muito inteligente.

Já o QE se constitui do conjunto de habilidades emocionais e traços pessoais de comportamento que beneficiam as relações interpessoais, tais como autoconhecimento, a capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia), autoestima, autoconfiança e resiliência, entre outras.

O conceito de QE foi difundido pelo psicólogo Daniel Goleman, escritor, jornalista científico e PhD da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para quem o QI não seria suficiente para determinar a capacidade intelectual de alguém.

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Embora o QI seja importante para se alcançar o sucesso acadêmico e ou no trabalho, o QE não fica atrás. Ambos, quando equilibrados, podem fazer um gênio ser um grande líder e alguém que esteja na média em termos de QI alcançar grande sucesso. A chave é o equilíbrio.

O QS, ou inteligência espiritual

Os autores da ideia de um quociente espiritual, Danah Zohar e Ian Marshall, em seu livro citado, defendem que o QI e o QE não são os únicos parâmetros para se medir a inteligência humana, é necessário avaliar-se o quociente mais importante de todos.

Segundo os autores, este é o QS, quociente espiritual que trata da necessidade humana de ter objetivos a serem alcançados na vida, e quando se desenvolve esse quociente, torna-se mais fácil alcançar metas com muito mais eficiência.

Não tem a ver com religiosidade ou em seguir alguma crença. A inteligência espiritual está relacionada com o sentido da percepção das diversas situações que se apresentam e a reação a estas a partir de uma avaliação mais profunda.

Os pesquisadores do tema encontraram o que chamaram de “centro espiritual interno”, entre as conexões neurais nos lobos temporais do cérebro, que é a área responsável pelas experiências espirituais das pessoas; e quanto mais alto o quociente que uma pessoa apresenta, mais ela é capaz de ter uma vida plena e com mais sentido, podendo ajustar seu direcionamento pessoal de acordo com o que deseja alcançar.

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É possível desenvolver a inteligência espiritual?

O site de negócios StautGroup traz um exemplo que ilustra a importância de as três faculdades atuarem em determinada situação:

“Vamos supor que você esteja em um cenário de conflito. Nesse contexto, seu QI apontaria a saída estratégica que causasse menos ou nenhum dano. O QE mostraria o equilíbrio entre tranquilidade e desespero para lidar bem com a situação. E o QS perguntaria: lutar nessa guerra faz sentido para o que você espera de sua existência?”

É possível, então, inferir a partir do exemplo, que a inteligência espiritual trata do transcendental, da capacidade de trabalhar com as percepções de maior valor para o ser humano e questões humanitárias superiores.

Para desenvolver essa capacidade, a pessoa deve se tornar mais reflexiva, buscadora da verdade, tanto interna quanto no mundo, tornando-se autoconsciente. Além disso, o conjunto de aspirações pessoais se torna mais profundo e uma das maiores características é o desejo de servir e de transmitir valores mais altos espiritualmente. As pessoas com alto QS tem maior capacidade de perdoar e relevar ofensas.

Veja a seguir dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes de acordo com Danah Zohar

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  • Exercem plenamente a compaixão
  • São espontâneas
  • Buscam uma visão mais ampla e universal
  • Gostam de perguntar “por quê?”
  • Buscam ter independência física, material e emocional
  • Aceitam plenamente a diversidade
  • Buscam uma compreensão global dos fatos
  • Sabem reverter problemas a seu favor
  • Seguem seus ideais e nunca abandonam seus valores
  • Buscam o autoconhecimento e o divulgam

Como se pode ver, as faculdades mentais aceitas e aprovadas pela ciência como capazes de aferir a inteligência humana foram ampliadas desde o começo do século XX, onde apenas o QI era aceito.

Na década de 1990, surge a inteligência emocional, mostrando que não bastava o fator intelectual, tornou-se necessária a contribuição da dimensão emocional.

No século XXI, emerge de forma superior o QS – Inteligência Espiritual, também chamada de Bússola do coração, trazendo maior compreensão da vida humana e se tornando o elemento aglutinador que faz com que o QI e o QE operem juntos e mais eficientemente, não apenas para o bem do próprio indivíduo, mas para um mundo melhor.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.