Dormir com seu filho é bom ou ruim para ele?

Saiba o que dizem os estudos científicos sobre os riscos e os benefícios do "co-sleeping" e do "bed sharing".


Fernanda Trida

Quando eu era criança, podia dormir na cama dos meus pais sempre que ficava doente. Adorava o aconchego, o carinho e todos os mimos. Gostava de saber que se eu acordasse no meio da noite, não precisaria ter que chamá-los, não precisaria sentir o medo da solidão do meu quarto. Era gostoso. Posso até dizer que chegava a ser terapêutico. Mas, será que é mesmo certo colocar um filho para dormir na cama ou no mesmo quarto que seus pais todas as noites?

Na minha época não havia resposta para esta pergunta. Hoje, há discussões acadêmicas que mostram que o co-sleeping (dividir o quarto, um sofá ou poltrona de amamentação com o filho durante a noite, constantemente) e o bed sharing (dividir a cama com a criança) são movimentos que vêm ganhando adeptos nas últimas duas décadas entre famílias que não têm problemas de falta de espaço, mas que o fazem por outros motivos.

Dentre elas, há as que acham que o co-sleeping facilita o processo de amamentação noturna e o cuidado com o bebê, já que ele está próximo e pode ser observado durante toda a noite. Outros pais e mães dividem o colchão com seus filhos na tentativa de suprir a falta do outro cônjuge, quando se trata de uma família desfeita. Há também os casos em que os pais se sentem culpados por trabalhar o dia todo e não terem tanto tempo quanto gostariam para seus filhos. Existem também as famílias que planejam a realização desse procedimento por acreditarem que seus filhos ficarão emocionalmente mais seguros com isso.

Seja qual for o motivo, não há consenso entre os especialistas sobre se tais práticas seriam ou não benéficas; e isso se dá por falta de dados, já que se trata de algo relativamente novo enquanto movimento de massa.

Um estudo da Universidade de Notre Dame, em Indiana (EUA), por exemplo, concluiu que o risco de morte súbita dos bebês poderia diminuir se estes dormirem mais próximos das mães, desde que na posição adequada e longe da fumaça do cigarro.

Estes pesquisadores também afirmam que as crianças que têm costume de dormir com seus pais são menos medrosas e mais fáceis de lidar do que aquelas às quais isso nunca foi permitido. Contudo, eles fazem um alerta importante: co-sleepinge bed sharing só devem ser realizados se houver segurança para tal, ou seja, os pais jamais devem dormir com o filho sob influência de drogas ou álcool ou mesmo se são fumantes.

Esse alerta é uníssono entre os estudiosos da área, mesmo que discordem dos benefícios trazidos pelas práticas, como é o caso de pesquisadores da Nova Zelândia, que publicaram um estudo cuja estatística demonstra que o ato de dormir com o bebê não diminui, mas sim aumenta a incidência de morte súbita, em especial – mas não somente – nos casos de mães fumantes, devido à inalação da fumaça.

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Assim, se sua decisão for dividir o mesmo cômodo ou cama com seu filho, consulte seu pediatra e tenha em mente que há riscos e benefícios. Além disso, se você é fumante, faz uso de drogas ou álcool, talvez seja melhor repensar sua decisão.

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Fernanda Trida

Fernanda Trida é jornalista, médica veterinária, dona de casa, esposa, mãe de Marcela, com três anos, e de João, com um ano de idade.