Como lidar com depressão e ansiedade durante a gravidez

Contar os meses ou semanas já deixa qualquer mãe ansiosa, imagine aquelas que já sofrem de ansiedade? E as deprimidas?


Stael Ferreira Pedrosa

Em nenhuma situação na vida é fácil lidar com depressão e ansiedade e isso tudo se agrava na gravidez. Esses problemas afetam a gravidez de maneira severa, aumentando o risco de parto prematuro. Se não forem tratados ou controlados, interferem no desenvolvimento normal do bebê.

Definindo depressão

A depressão é uma doença e este é um fato. Muitas pessoas confundem essa doença com problemas emocionais passageiros como tristeza, desânimo ou cansaço. Embora esses problemas façam parte ou sejam consequências do quadro de depressão, não são depressão.

Por que é doença?

Segundo o dicionário de significados, doença é um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam um ser vivo, alterando o seu estado normal de saúde.

Nesse sentido, a depressão é uma doença, pois apresenta sinais e sintomas específicos e altera o estado normal. E de acordo com especialistas existem evidências de alterações químicas no cérebro do deprimido em relação aos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina, responsáveis pelo bem-estar. Devem ser repostos com medicamentos prescritos por um médico.

Definindo ansiedade

A ansiedade é uma reação normal do organismo dos animais que os prepara para perigos iminentes, fazendo-os entrar em ação. O problema está no excesso ou na não existência do perigo ou situação de risco, sendo estes apenas imaginários.

A ansiedade pode ser paralisante e afetar de maneira patológica o indivíduo. Em quadros de ansiedade leve, o tratamento pode ser psicoterapia. Quando afeta de maneira grave a vida do paciente, deve-se utilizar medicamentos.

Depressão e ansiedade na gravidez

Com as mudanças hormonais, a mulher saudável já experimenta oscilações de humor, alternando entre lágrimas e risos. Como se já não fosse suficiente ter que se adaptar às responsabilidades, incertezas e cuidados, essas alterações hormonais podem fazer surgir ou agravar quadros psiquiátricos preexistentes.

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O alarme vem quando a gestante simplesmente não sente alegria nem prazer por estar grávida, chora demasiado, medo ou culpa injustificados, desinteresse por esse período, irritabilidade, entre outros.

Segundo o Dr. Joel Rennó Junior, coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria em artigo neste site:

“Por mais contraditório que pareça, muitas pacientes apresentam tristeza ou ansiedade em vez de alegria nessa fase. Os limites entre o fisiológico e patológico podem ser estreitos, gerando dúvidas em obstetras, clínicos e psiquiatras.”

Ainda de acordo com o artigo, existem fatores atuantes e estressores durante a gravidez que contribuem para a instabilidade emocional da gestante, tais como instabilidade no relacionamento conjugal, gravidez de risco, dificuldades financeiras, ou histórico de depressão ou de traumas anteriores como abusos, físicos, sexuais e ou de drogas.

Qual o risco?

Toda gestante que apresenta o quadro depressivo/ansioso durante a gravidez deve ser tratada, pois o não tratamento pode trazer problemas como o não comparecimento ao pré-natal, uso de substâncias nocivas como álcool ou drogas, tabaco, a ter um padrão anormal de sono e deficiências nutricionais.

Segundo o site Minha vida, há uma relação entre ansiedade e complicações no parto como a pré-eclâmpsia, já que a ansiedade atua no aumento da pressão arterial.

Além disso, ainda de acordo com o site, há o risco de “aborto, morte neonatal, parto prematuro, baixo peso ao nascer, baixo APGAR (teste feito no bebê recém-nascido), maior uso de UTI neonatal e mais dificuldade na formação do vínculo mãe-bebê.”

Como lidar com o problema?

Os conselhos do psiquiatra Eduardo Navajas Jr. para a gestante que enfrenta esse delicado problema é para que o ginecologista, ao perceber o problema, encaminhe a gestante para a psiquiatria e psicologia para confirmação do diagnóstico.

Se houver necessidade, haverá a prescrição de medicamento adequado ao período gestacional.

O tratamento deve ser rigoroso, pois o não tratamento da depressão e ansiedade durante a gravidez pode acarretar a depressão pós-parto.

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Além disso, a ginecologista Sue Yazak Sun aconselha a gestante a “conversar com amigos, dividir tarefas, descansar e reduzir a carga de trabalho” e livrar-se de situações estressantes. Segundo a Dra. Sue, “é melhor depositar a carga no chão e ficar mais leve, mais sossegada. Por você e por seu bebê.”

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.