Celulite Infecciosa: um perigo que você nem imagina

Esse mal não tem a ver com a celulite comum que compromete a beleza corporal, é uma infecção bacteriana que pode até matar.

Stael Ferreira Pedrosa

No final do mês de novembro, senti uma coceira na parte inferior do abdômen, logo abaixo do umbigo. Não me importei, já que poderia ser alguma picada de inseto ou um contato que causou prurido. No dia seguinte, me assustei ao ver que o local estava muito vermelho, quente e inchado. Associei ao fato de ter ido nadar em uma barragem próxima, local muito bonito e bastante frequentado e possivelmente ter sido picada por um mosquito ou outro inseto. À noite, tive febre, mal-estar e ânsias de vômito, então percebi que havia algo bastante errado.

No dia seguinte, bem cedo, fui a uma clínica de atendimento imediato perto de casa e o diagnóstico me pareceu muito estranho: celulite infecciosa. Eu pensei, mas eu não tenho celulite na barriga, como assim? Foi então que eu descobri a celulite que não é estética, é bem mais grave, podendo inclusive matar: a bacteriana.

O que é?

Esse tipo de celulite é causada por bactérias: Staphylococcus aureus e o Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (SBHGA) que penetram na pele através de pequenas lesões (ou grandes) que podem ser arranhões, picadas de insetos (que creio foi o que se passou comigo), cirurgias, queimaduras e infecções por fungos ou outros meios que não seja pele lesionada, no entanto, o risco é maior quando há lesão prévia e estas apresentam inchaço ou líquidos. Acomete mais a parte inferior do corpo (pernas e pés), mas podem surgir em outros locais, como foi o meu caso.

Quem tem mais riscos de contrair?

A incidência é maior entre adultos de meia-idade e idosos e sua epidemiologia (casos) são de 200 a cada 100.000 pacientes ao ano e surge mais durante os meses mais quentes.

Existem alguns fatores que predispõem, tais como pessoas que fizeram cirurgia, que têm varizes agravadas, usuários de drogas injetáveis ou que estão em radioterapia, também os diabéticos e portadores de HIV, que têm as defesas comprometidas e as gestantes (devido ao aumento do hormônio estrogênio).

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A infecção

A infecção geralmente surge após algum evento que comprometeu a integridade da pele, possibilitando que o patógeno se infiltre através da lesão e se instale, fazendo com que o corpo reaja a esta invasão causando uma inflamação (maior quantidade de sangue no local) como resposta. A pele então incha e fica vermelha. O agente invasor se propaga através dos tecidos e vasos linfáticos e sanguíneos, fazendo com que sintomas surjam, como febre, calafrios, mal-estar, confusão mental e leucocitose (número elevado de leucócitos no sangue, o que indica uma infecção).

Em alguns casos podem se formar bolhas ou necrose, resultando em “extensas áreas de descolamento epidérmico e erosões superficiais”, atacando também o sistema linfático (linfangite), bacteriemia (quando a bactéria cai na corrente sanguínea), podendo causar septicemia (infecção generalizada) e morte. A melhor maneira de evitar isso é procurando atendimento médico o mais rápido possível.

Sintomas

O diagnóstico geralmente é feito através da consulta clínica. Caso o paciente apresente os seguintes sintomas, é possível identificar um caso de celulite infecciosa:

  • Dor no local afetado;
  • Regiões extensas vermelhas pelo corpo;
  • Região extensa e vermelha na parte do corpo afetada;
  • Febre acima de 38ºC;
  • Inchaço na pele, podendo ocorrer produção de pus;
  • Ínguas perto do local afetado.

É importante destacar que nem toda vermelhidão na pele é celulite infecciosa, existem outros problemas de saúde, tais como a Erisipela, que causam esta condição. Somente um médico poderá dar o diagnóstico correto.

O que fazer

Eu fiz o que deveria ser feito, procurei um médico o mais rápido possível, ou seja, a partir do momento que eu suspeitei (pelos sintomas) que não era apenas uma coceirinha passageira. Sempre que surge algo muito diferente, na pele, vermelhidão e febre, certamente não é algo simples, melhor ir mesmo ao médico.

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O tratamento é feito com antibióticos via oral, injetável ou endovenoso (na veia) dependendo da gravidade e do comprometimento da doença. Nos casos mais graves, é necessária a internação hospitalar. Tomei antibióticos prescritos pelo dermatologista por 10 dias, além de compressas frias na pele e hidratação no local. Felizmente os sintomas cederam e não houve maiores complicações. No entanto, é necessário ficar alerta, porque pode haver reincidência.

A prevenção consiste em evitar lesões de pele, claro, especialmente se você já tem mais de 40 anos, é diabético e ou obeso. Manter a glicemia e o peso controlados, cuidar de infecções de pele como frieiras ou micoses, ter uma boa higiene corporal, praticar exercícios (o sedentarismo é fator de risco) e evitar o álcool e tabaco.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.