Atitude: A diferença que o mundo precisa

Num mundo onde as pessoas são mais reativas que proativas, atitude e iniciativa fazem toda a diferença. Veja como atingir seu potencial e ser mais feliz.


Stael Ferreira Pedrosa

A primeira vez que ouvi a palavra “proativa” foi em uma entrevista de emprego. O entrevistador perguntou se eu me considerava uma pessoa reativa ou proativa. Fiquei imaginando o que ele queria dizer com aquele neologismo e sinceramente pedi: – Explique essa pergunta, por favor. Ele me olhou com uma sobrancelha mais alta do que a outra e disse: – Reativa é a pessoa que fica aguardando ordens para fazer qualquer coisa, e proativa é aquela que toma a iniciativa em fazer algo e vai além do que foi pedido.

Constatei tristemente que pertencia ao primeiro grupo. Fui sincera e disse isso. Claro que não consegui o emprego, mas consegui uma lição.

Desde bem jovem sou cristã e leio a Bíblia. Um dos ensinamentos de Jesus Cristo diz: “E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.” (Mateus 5:41). Eu sempre soube o significado dessa escritura e nunca tinha me dado conta. A escritura diz, em outras palavras: Seja proativo! Tenha atitude!

Atitude

Num mundo onde as pessoas são normalmente reativas, ser proativo e tomar uma atitude faz a diferença. Ficamos encantados, damos um “curtir” ou compartilhamos no Facebook quando vemos uma pessoa que recolhe animais nas ruas e cuida deles, quando vemos alguém fazer campanhas para arrecadar alimentos ou agasalhos ou ainda engajados em movimentos de sustentabilidade. Mas, termina aí.

Temos nosso trabalho, nossa família, nossa religião, nossos estudos e nossa vidinha de sempre. Isso é bom e digno. Devemos cuidar de nossas vidas, nossas famílias, nossos estudos e ser fiéis à nossa religião. Certa vez ouvi um discurso dirigido aos jovens em que o orador dizia: “Jovens, tornem esse ano que se aproxima o melhor de suas vidas. Façam algo grande, sejam notáveis!”Muitos saíram motivados a fazer coisas bacanas. Um prestou vestibular para medicina e hoje é um reconhecido médico em nossa cidade. Outro decidiu ser missionário e foi levar o cristianismo ao Japão. Uma garota e o namorado abriram um restaurante que se tornou um sucesso, casaram-se e estão muito bem.

Tudo isso é muito digno e louvável, mas podemos ir além. Todos temos dons e talentos que são só nossos. Cada um pode contribuir de maneira única para o meio em que vive, atingir seu potencial e fazer a diferença. Ainda que o mundo nem venha a saber.

  • Uma senhora por volta de 60 anos aprendeu a tocar piano depois dos 40 anos. Ela tomou a iniciativa de aprender para tocar em sua igreja acompanhando a congregação e contribuir para a espiritualidade das reuniões.

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  • Um motorista de caminhão resolveu fazer faculdade aos 55 anos. Hoje, aos 64, tem seu próprio escritório e doa o seu talento, advogando para pessoas de baixa renda.

  • Uma mãe que criava sozinha os quatro filhos trabalhando como faxineira após ter sido abandonada pelo marido, voltou a estudar à noite. Concluiu o ensino médio, fez faculdade, foi aprovada em concurso público e passou a ter um ótimo salário. Terminou de criar os filhos com conforto e autossuficiência.

Conheço as três pessoas citadas acima e sei que foi difícil para elas. E eu poderia citar muitos exemplos de superação, todos conhecemos alguém que através de atitudes e por ser proativo atingiu seu potencial e conseguiu uma vida mais feliz e plena.

O que podemos fazer diariamente para nosso próprio crescimento e para acrescentar algo positivo ao mundo em que vivemos?

Um bom conselho que ouvi anos atrás: deixe melhor o lugar de onde saiu. A atitude é apenas pensar: “Como posso tornar esse ambiente melhor por simplesmente estar aqui?”

Parece pouco, mas faz grande diferença. O muito começa com o pouco.

Pense que com apenas sete notas, Haendel escreveu “Aleluia”. Quando Bach escreveu “Jesus, alegria dos homens”, cada livro ou poema foram escritos a partir da primeira letra. Homens e mulheres notáveis foram bebês, e até mesmo Jesus Cristo cresceu de graça em graça. A maioria de nós tem os mesmos instrumentos e recursos. Temos sete notas à nossa disposição, temos braços, pernas, cérebro e capacidade. Temos as letras e os dez números. Tudo o que os grandes tiveram. Talvez além do talento o que os separa de nós seja a atitude de ousar ir além.

A maioria de nós não tem o talento deMozart, a vocação de Madre Tereza ou a inteligência de Stephen Hawking, mas nem precisa, há tanta coisa diferente a ser feita. Porém, estejamos prontos. Sejamos presentes. Sejamos pessoas com quem se possa contar. Sejamos parte da solução e não do problema.

Já se passaram muitos anos desde aquela entrevista de trabalho, porém a lembrança é recente. Hoje, tento fazer o melhor para ser proativa e meus filhos não aguentam mais ouvir essa palavra. Ainda tenho muito que melhorar, e esse é um trabalho para toda a vida.

Estamos aqui com um propósito. Seja lá qual for, saibamos que devemos estar prontos. Cuidemos dos canteiros de nossas vidas como se o Senhor do jardim viesse hoje colher as flores de nossas almas.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.