A individualidade na união conjugal

Para uma relação saudável é de suma importância que o casal aprenda a equilibrar a identidade pessoal de cada um com a identidade conjugal.


Suely Buriasco

Com o casamento duas individualidades passam a conviver em conjugalidade, ou seja, em desejo conjunto num projeto de vida. Dessa forma, pela relação amorosa duas identidades pessoais formam uma terceira identidade, ou seja, a conjugal.

Segundo a psicóloga Tatiana Ades, há um limite entre a identidade do casal e de cada indivíduo. “Uma pessoa nunca deve ir além para agradar o parceiro, isso só trará caos e frustração ao relacionamento. Por isso, um casal que se ama de verdade respeita um ao outro, compreende que não deve exigir mais do que é possível dar e aceita isso com serenidade. Ultrapassar as barreiras do outro por egoísmo é uma forma de jogo e não de amor real.”

As tensões entre individualidade e conjugalidade são duas forças paradoxais que precisam ser equilibradas em favor de um relacionamento saudável.

Identidade pessoal

É natural que no início da relação o casal queira ficar mais tempo sozinho e se afaste da vida que tinham quando solteiros. Mas com o passar do tempo é sadio que as coisas voltem ao normal, pois romper totalmente com a vida anterior da união pode mais tarde gerar desgaste e frustração. Deixar de lado amizades e atividades importantes que faziam parte da rotina pode ser muito ruim. Exercitar a individualidade em um relacionamento é importante, afinal não é porque a pessoa se casou que mudou o jeito de ser, os gostos e as vontades. Deixar do que se gosta para adquirir o gosto do outro gera grande insatisfação que, cedo ou tarde se reverterá em cobranças. É importante a concepção de que todas as pessoas precisam de seu próprio espaço, de seus momentos de solidão sadia e, acima de tudo, de se sentir completa.

Identidade conjugal

Mas se é importante manter o individualismo, também, é essencial conservar a identidade conjugal. Afinal, se os cônjuges só priorizam seus próprios desejos incorrem no egoísmo que mina qualquer relação. A atitude egoísta é desrespeitosa e afasta os cônjuges, pior ainda é quando um deles se torna submisso ao outro. Encontrar esse equilíbrio entre a individualidade e as vontades do casal é essencial e o diálogo é a melhor ferramenta. Ao conversar francamente os cônjuges expõem seus limites e negociam acordos, então o equilíbrio se faz naturalmente. Essa estabilidade consiste no respeito e na aceitação da identidade de um e outro, então a identidade conjugal se constrói de forma saudável.

É, pois, essencial para a felicidade do casal a busca desse equilíbrio. Levar a vida com bom senso é garantia de satisfação duradoura. Manter o próprio espaço, acolhendo a quem se ama é o que se pode esperar de melhor na união conjugal.

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Suely Buriasco

Mediadora de Conflitos, educadora com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, apresentadora do programa Deixa Disso com dicas de relacionamentos. Dois livros publicados: “Uma fênix em Praga” e “Mediando Conflitos no Relacionamento a Dois”.