A comovente transformação de menina à mulher após anos de depressão

Conheça a história de Rebecca e veja o vídeo incrível desta moça corajosa que tem lutado contra a depressão e desordens de arrancar os próprios cabelos e pele a cada dia.


C. A. Ayres

Este vídeo comovente traz a história de Rebeca Brown, que tirou 2100 fotos de setembro de 2007 a março de 2014, dos 14 aos 21 anos de idade. Antes de você assistir ao vídeo acima, leia a história de Rebecca abaixo.

O vídeo comovente de Rebecca já ultrapassou 9 milhões de visualizações de todo o mundo. Ela mora em Chelmsford, na cidade de Essex na Inglaterra.

Rebecca conta que faltaram algumas fotos devido ao período que não tinha uma câmera, ou que estava lidando com a depressão, pensamentos suicidas e uma doença chamada tricotilomania, doença compulsiva caracterizada por arrancar os próprios cabelos, de trantorno obsessivo-compulsivo, o que a fez ter várias falhas no couro cabeludo. Ela também teve dermatotilexomania, compulsão que faz a pessoa ter vontade de causar lesões na própria pele, cavocando o rosto, ambos transtornos de auto-mutilação.

A tricotilomania e a dermatotilexomania são considerados vícios ou mau-hábitos causados geralmente por transtorno obsessivo compulsivo (não confundir com transtorno de personalidade obssessivo-compulsiva), da ordem ICD – Impulse-control disorder, ou seja, algo que a pessoa não consegue controlar. Rebecca conta que agora tem feito tratamento para depressão, e quando as manias atingem níveis críticos, ela usa perucas.

Rebecca começou a desenvolver os hábitos aos 13 anos de idade, e sua família a levou a vários médicos, que infelizmente falharam por 5 anos em diagnosticar as doenças, e somente aos 19 anos ela pode tratar propriamente as desordens, e fez questão de deixar os efeitos em vídeos e imagens para que as pessoas pudessem conhecer e se inteirar dos problemas. Ela conta alguns absurdos nessa saga para buscar ajuda: um médico pediu-lhe que apenas “sentasse” sobre suas mãos, e outro que ocupasse seu tempo de melhor forma.

Aos 14 anos de idade, ela fez uma busca na internet e encontrou algo sobre a tricotilomania, com vídeos e explicações falhas e incompletas, então ela decidiu fazer os próprios vídeos, e ela também possui um canal no YouTube onde ela relata a luta contra a tricotilomania para ajudar os portadores, simplesmente pelo fato de que viu que era quase impossível explicar sua condição aos médicos e outras pessoas, mas era relativamente fácil falar com uma webcam.

Note algumas partes do vídeo em que ela está com a cabeça raspada. Rebecca diz que “raspando a cabeça pelo menos não há cabelos para arrancar”.

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O que você precisa saber sobre a tricotilomania:

  • É uma desordem incontrolável.

  • Relacionada a um transtorno mental.

  • Geralmente usada para aliviar estresse ou ansiedade, além de tensões, já que puxar o cabelo libera endorfinas no cérebro.

  • Acontece geralmente com 4 em cada 100 pessoas mundo afora.

  • Normalmente começa em crianças em torno de 9 a 13 anos de idade.

  • A grande maioria das pessoas afetadas são mulheres que se auto-mutilam puxando cabelo, sobrancelhas ou cílios. Homens puxam cabelo, bigodes, pêlos do peito ou barba.

  • Nos casos mais graves, as desordens são subconscientes, as pessoas não se lembram de tê-lo feito.

  • Tratamentos incluem a hipnoterapia e terapia cognitiva comportamental, que ajuda a reverter os hábitos e ensina o portador a identificar o motivo que o leva a arrancar os fios, ajudando a aprender formas de relaxamento e redução de estresse.

  • Se houver ansiedade, um médico poderá receitar ansiolíticos e antidepressivos.

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A honestidade e coragem de Rebecca é admirável em falar abertamente do problema e como tem lidado com as desordens. Isso tem ajudado pessoas do mundo inteiro, bem como pais de jovens passando pelos mesmos problemas. São milhares de pessoas sofrendo de trocotilomania e dermatotilexomania ao redor do mundo que veem Rebecca como heroína e ganham a esperança para superar e aprender a controlar as desordens, e principalmente, que suas condições sejam reconhecidas e tratadas propriamente.

Alguns portadores da tricotilomania chegam a engolir os cabelos que arrancam, e isso constitui outro distúrbio, a tricotilofagia. Esta é uma patologia mais grave que causa a perda de apetite, vômitos, náuseas, bloqueio gastrointestinais, hemorragias internas, dores abdominais, necessitando até de cirurgias para a retirada de cabelos do estômago e intestino, e são diagnosticadas como alotriofagia que, segundo o psicólogo Leonardo Viana, “é o consumo de substâncias inorgânicas (na esmagadora maioria dos casos) ou algumas substâncias orgânicas cruas”.

Ele cita ainda algumas alotriofagias mais comuns, que muitas vezes acontecem com crianças desde tenra idade:

  • Acufagia – ingerir objetos pontiagudos.

  • Amilofagia – comer amido (i.e. de milho ou mandioca).

  • Auto-canibalismo – comer partes do corpo (raridade).

  • Cautopireiofagia – ingerir palitos de fósforo apagados.

  • Coniofagia – comer pó.

  • Coprofagia – comer excremento.

  • Emetofagia – comer vômito.

  • Geomelofagia – comer (freqüentemente) batatas cruas.

  • Geofagia – ingerir terra ou solo.

  • Ctonofagia – ingerir terra ou argila (arcaísmo).

  • Hematofagia – comer sangue.

  • Hialofagia -ingerir vidro.

  • Lithofagia – comer pedras.

  • Mucofagia – ingerir muco.

  • Pagofagia – comer (patologicamente) gelo.

  • Tricotilofagia – comer cabelo ou lã (fios ou tecido).

  • Urofagia – ingerir urina.

  • Xilofagia – comer madeira.

Se você possui esses sintomas ou conhece alguém que está passando por isso, não deixe de procurar ajuda através de profissionais especializados como psiquiatras ou psicólogos.

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C. A. Ayres

C. A. Ayres é mãe, esposa, escritora e fotógrafa, pós-graduada em Jornalismo, Psicologia/Psicanálise. Visite seu website.