5 motivos para NÃO incentivar seu filho a sempre DIVIDIR o que ele está comendo

Não é egoísmo, é evitar que algo sério aconteça! LEIA e você vai entender.


Erika Strassburger

Pode parecer, inicialmente, uma atitude egoísta, mas você vai entender perfeitamente, ao ler este artigo até o fim, por que nem sempre é uma boa ideia incentivar seu filho a compartilhar seu lanche com os colegas e amigos.

1. Algum coleguinha pode ter restrições alimentares

Certa vez, quando meu caçula estava no primeiro ano, ele compartilhou seu lanche com um coleguinha sem saber que ele tinha intolerância à lactose. Essa atitude bondosa fez com que seu amigo passasse mal.

Nem toda criança com restrições alimentares consegue dizer “não” a um delicioso pedaço de bolo ou a qualquer alimento que ela não pode ingerir. E em uma turma de 30 alunos, nem mesmo a professora – por mais que tenha sido alertada – consegue impedir que um “acidente” desses aconteça.

Então, o melhor a fazer é deixar que os próprios pais enviem aquilo que a criança pode comer.

2. Um alimento errado pode matar

Meu filho mais velho, que está com 16 anos e tem Síndrome de Down, nasceu com uma estenose (estreitamento) no esôfago. O esôfago dele já foi dilatado algumas vezes, mas nunca funcionou bem. Para facilitar a chegada do alimento até o estômago, a comida dele precisa ser muito bem amassada, até virar uma papa. Alguns alimentos ele consegue mastigar, como algumas frutas, pães e biscoitos. Mas ele tem muita dificuldade de comer outros, como carne, massa e arroz. Muitas vezes, alguns alimentos mal mastigados acabavam ficando entalados no esôfago e levava horas até chegar ao estômago ou ele conseguir vomitar.

Até descobrirmos o que ele tinha, ele ia aspirando parte do que comia (aspirar é sugar o alimento para o pulmão). Ele tinha repetidas pneumonias por aspiração. Quando tinha um aninho de vida, seu estado de pneumonia era grave e ele pesava apenas 7 quilos. O médico disse que ele corria risco de morrer, porque o pulmãozinho dele estava bem comprometido.

Certa vez, depois do problema já descoberto e ter sido feita uma dilatação, ele comeu um pequeno pedaço de churrasco e ficou mais de 24 horas sem conseguir se alimentar – nem líquido descia, porque o pedaço de carne ficou parado na parte mais estreita do esôfago. Muitas vezes peguei outras crianças lhe oferecendo alimentos que ele não podia comer. E ele acabava sempre vomitando. Cada vômito era um risco de aspirar mais alimento e comprometer ainda mais o seu pulmão.

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Então, aí está um, entre tantos casos, em que um alimento errado pode ser fatal. Não podemos permitir que nossos filhos coloquem a saúde de outras crianças em risco.

3. A criança pode ter uma dieta mais saudável

Recentemente, presenciei um episódio interessante. Uma linda menininha comia, feliz, sua bolacha perto de um bebê de 8 meses. Inocentemente, ela correu até sua mãe e pegou uma bolachinha e deu-a ao bebê. Sua avó, que estava com o bebê no colo, olhou para a mãe do bebê, que estava logo adiante. A mãe só confirmou o que a avó já sabia, que não era para deixar o bebê comer.

Há mães que dão de tudo para seus filhos desde muito cedo. Outras, preferem dar apenas alimentos saudáveis, pelo menos nos primeiros dois anos de vida. Ao incentivar nossos filhos a compartilhar as guloseimas que comem, podemos estar gerando um mal-estar, porque a criança vai ficar frustrada por não poder comer, e a mãe pode ficar chateada vendo a tristeza do filho.

4. Seu filho pode estar sendo passado para trás

Eu costumava dizer a meus filhos que dessem um pedaço do que estava comendo, caso algum coleguinha pedisse – se a professora dissesse que estava tudo bem. Mas algo desagradável passou a acontecer com o caçula. Seus colegas que não levavam lanche estavam comendo praticamente tudo o que ele levava, e ele ficava com fome em sala de aula. Chegava em casa com o estômago doendo.

Ele levou algum tempo para me contar o que estava acontecendo. Como gostava muito dos colegas, não queria perder sua amizade, caso não compartilhasse seu lanche. Isso mostra que ele era coagido a compartilhar.

A partir de agora eu digo: você pode compartilhar seu lanche, desde que tenha o suficiente. Ou desde que seu colega também divida o que está comendo com você. Infelizmente, crianças na faixa etária dele (9 a 10 anos) já sabem como tirar vantagem das crianças bondosas.

5. Algumas doenças podem ser contraídas no compartilhamento de alguns alimentos

As crianças não têm muita noção de higiene. Elas compartilham copos, garrafinhas e canudos. Infelizmente, há crianças que não podem compartilhar objetos. Várias doenças podem ser transmitidas nessa prática, como gripe e outras doenças respiratórias, amigdalite, herpes, hepatite A etc.

É correto e bonito ensinar os filhos a compartilhar o que estão comendo, DESDE QUE algumas orientações importantes sejam dadas. Ensinar as coisas abaixo poderá impedir que um evento ruim e até fatal aconteça. Portanto, oriente seu filho a:

  • Perguntar à professora ou mãe da criança se ela pode comer aquele alimento, antes mesmo de oferecer.

  • Não compartilhar seu alimento (líquido e sólido) se ele estiver doente.

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  • Jamais deixar que outra criança beba no seu copo ou garrafinha.

  • Não deixar a criança morder seu sanduíche ou bolo. É melhor cortar ou arrancar um pedaço e lhe entregar.

  • Oriente seu filho a não beber no copo de outros ou morder diretamente o alimento de outros, mesmo que nenhum deles tenha qualquer doença transmissível.

  • Se ele se sentir intimidado pelos colegas para dividir o alimento, ele precisa avisar tanto a professora quanto você.

Toma un momento para compartir …

Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.