3 mitos sobre o divórcio que a maioria das pessoas acredita

Mitos existem sobre todo e qualquer assunto e o divórcio não é exceção. Nem tudo o que se diz sobre ele é fato.

Stael Ferreira Pedrosa

Todo casamento tem problemas e isso é inegável. Problemas fazem parte da existência humana e, de certa forma, são eles que dão algum sabor à vida. Condições adversas, dificuldades, expectativas não atendidas, desentendimentos são ajustes que a vida nos dá. São desafios que devemos enfrentar e lutar para sermos vitoriosos. Segundo Viviane Mosé, a pergunta diante dos problemas é: que aspecto da minha alma precisa crescer e se transformar?

No entanto, muitas vezes existem problemas que não se resolvem e desafiam a capacidade de permanecer lutando. Nesses momentos, todas as relações humanas sofrem, sejam as amorosas, as profissionais, de parentalidade e até consigo mesmo. O casamento costuma ser o ponto de maior choque. O divórcio surge diante dos cônjuges com problemas como a única solução, e em alguns casos é, mas na maioria das vezes, os problemas são apenas um convite ao crescimento.

E geralmente as pessoas tendem a fantasiar a respeito do divórcio. Alguns creem que seja a solução dos problemas, ou o fim de suas relações amorosas, outros que seja o registro de seu fracasso, já outros creem ser a porta para a liberdade.

Independente das expectativas de quem se divorcia, existem mitos sobre o divórcio que podem levar mais tarde à angústia e mais desapontamentos. Aqui estão três deles:

1. A separação é a saída

Como já dito antes, em alguns casos, é. Se existe violência doméstica ou abuso de qualquer ordem, sim, a saída é o divórcio. Caso não seja assim, existem maneiras melhores de lidar com os problemas. Deve-se procurar todos os meios possíveis de resolver os conflitos e ajustar-se à relação. Deve haver mudança de vida. Mudança de atitude, há que se buscar ajuda antes de decidir por um divórcio. A separação pode ser uma decisão muito difícil e dolorosa para ambos e para os filhos.

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2. A culpa é do outro

Em alguns casos sim, como por exemplo, o cônjuge que trai. Traição é um dos grandes motivos para divórcio. Porém, nunca é culpa de ninguém a não ser do que trai. Existem pessoas que racionalizam dizendo que foram buscar fora o que não tem em casa, que o outro não supre suas necessidades. Desculpa esfarrapada simplesmente, ou preguiça de trabalhar a relação, de mudar, de tratar o outro melhor. Na maioria das vezes a culpa é de ambos. Por isso, ao invés de olhar a grama verde do vizinho, cuidem bem da própria grama que ela ficará verde também.

3. Depois do divórcio tudo irá melhorar

Esse talvez seja o maior mito de todos. Não vai melhorar nada. Se sua alma não melhorou, não cresceu, tudo continuará igual. O mito comum é de que quem já passou por erros no primeiro casamento, não os cometerá novamente na próxima relação. Isso pode até acontecer, se a pessoa tiver reconhecido seu erro, amadurecido na solução destes e tiver aprendido algo com eles. Senão, ela só vai levar os problemas de um relacionamento para o outro.

Segundo estudo feito por Joshua R. Goldstein e publicado com o título “The Leveling of Divorce in the United States” (O nivelamento do divórcio nos Estados Unidos), embora muitas pessoas consigam uma relação bem-sucedida após um divórcio, a taxa de divórcios de segundos casamentos é de fato maior do que a dos primeiros casamentos.

Tendo em vista a fragilidade de tais mitos, a melhor solução deve ser procurar ser um ser humano melhor, para viver uma relação melhor. O casamento é um acordo mútuo que envolve vidas, sentimentos, valores, saúde emocional, filhos, a saúde emocional dos filhos e muito mais. Não pode ser tratado como um objeto que pode ser substituído caso se estrague ou se quebre. É algo para ser nutrido, fortalecido, cultivado e principalmente trabalhado por toda a vida, todos os dias. Não fica pronto após o “sim” e nem deve terminar com a morte.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.