12 sinais perigosos de uma possível depressão pós-parto a serem diagnosticados com urgência

A depressão pós-parto pode perdurar por anos se não diagnosticada. Ela existe e precisa ser tratada. Faça isso por você e por seu bebê.


Fernanda Ferrari Trida

A depressão e a melancolia pós-parto são condições mais comuns do que se imagina nas mulheres. Cerca de 80% de nós sofremos com essa tristeza sem motivo aparente depois do nascimento de um filho.

Estudos realizados sobre o assunto concluíram que há dois motivos primários para o surgimento desse quadro depressivo: 1º a quantidade de hormônios sexuais, progesterona e estrógenos, que estavam elevados durante a gestação, diminuem bruscamente após o parto, alterando a condição química do cérebro; e 2º os fatores não-hormonais, como a mudança total no estilo de vida da família, a dependência do bebê em relação à mãe, a impossibilidade de dormir e se alimentar de forma adequada, problemas financeiros, entre outros.

Os principais sintomas da depressão pós-parto são tristeza, choro, irritabilidade, nervosismo e ansiedade (também se aplicam à melancolia pós-parto, porém de forma mais suave). Esses sentimentos são mais comuns nas primeiras semanas após o parto, mas podem ocorrer a qualquer momento durante o primeiro ano de vida do bebê.

Será que eu tenho depressão pós-parto?

Caso a depressão e a melancolia persistam por mais que alguns dias ou venham acompanhadas de uma sensação rancorosa com ou sem impulsos violentos contra a criança (psicose pós-parto), um médico deve ser procurado urgentemente e a mãe não deve ficar sozinha com o bebê enquanto não for tratada.

Listamos abaixo os principais sinais aos quais você deve ficar atenta. Se achar necessário, seu obstetra poderá esclarecê-la melhor sobre essa questão e encaminhá-la a um psicólogo ou psiquiatra.

1. Frustração consigo mesma

Se você tinha expectativas específicas com relação ao parto e à amamentação, por exemplo, como um parto natural e ofertar leite materno e, por qualquer motivo (que às vezes nem está relacionado diretamente com você), não conseguiu esses objetivos, pode se desapontar muito além do comum.

2. Frustração com o bebê

Se você criou uma imagem mental para seu recém-nascido que não condiz com sua aparência, pode ficar chateada e achar que a culpa é sua; mas os bebês são muito parecidos quando nascem e vão ganhar as características da mãe e do pai apenas alguns dias depois.

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3. Fim de um ciclo

O parto é um momento que aguardamos por 40 semanas, depois que ele ocorre, um novo ciclo se inicia, com o cuidado e as atenções voltadas para o bebê. Isso pode ressenti-la.

4. Sensação de ser apenas uma provedora alimentar

A mãe que consegue alimentar o bebê com seu próprio leite é abençoada, mas sofre ao perceber que sua rotina agora gira única e exclusivamente em torno de seu filho. Ela pode sentir falta de atenção do marido e da família e transferir essa frustração para a criança.

5. Período de internação

A hospitalização em decorrência do parto é um período em que a mulher pode se sentir incapacitada por estar se recuperando e porque o hospital não delega a função de cuidar do bebê para a mãe neste momento.

6. Sobrecarga em casa

Amamentar, trocar fraldas, dar banhos, ninar, ouvir o bebê chorar sem entender o motivo e ainda ter que lavar roupas, cuidar da casa, do marido e de si mesma é muito trabalho e causa cansaço.

Lidando com a depressão pós-parto

7. Insegurança

Cada bebê tem características diferentes e por mais que a mulher tenha outros filhos, a insegurança pode acometê-la, afinal, cuidar de mais de uma criança e entender o que um recém-nascido quer são coisas difíceis, que podem causar sentimentos de incapacidade.

8. Amamentação

O aleitamento materno é o objetivo da maioria das mulheres, mas poucas delas conseguem fazê-lo sem sentir desconforto ou dor. Além disso, o bebê pode não conseguir sugar de maneira eficiente ou ainda ter problemas como intolerância a componentes do leite. Esses “contratempos” podem levar a mãe a acreditar que fracassou.

9. Não saber quem se é

A saudade dos tempos de “liberdade”, quando não existiam preocupações, horários e obrigações com outra pessoa, pode ser sufocante. Se isso ocorrer e a mãe começar a culpar o bebê por isso, pode ser depressão.

10. Insatisfação com o corpo

Todas as mulheres que tiveram filhos recentemente passam pelo período de retorno do útero e do corpo ao tamanho normal, para algumas, bastam alguns meses, mas para outras, são anos para voltar a ter o peso de antes da gravidez. Mas isso não pode provocar sentimento de total frustração e de raiva contra o bebê.

11. Mudanças no relacionamento

O casal agora não é mais somente um casal, mas, sim, uma família cujo objetivo primordial é cuidar do filho. Isso pode causar algumas crises no casamento, que se não forem discutidas e acertadas poderão se tornar um agravante importante.

12. Sentimento de estar carregando o mundo nas costas

Essa sensação ocorre, principalmente, quando a mulher não é amparada pelo marido, que deveria ajudá-la a cuidar do bebê dentro das suas capacidades e disponibilidade.

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Se você está vivenciando um ou mais dos sentimentos descritos acima, não hesite em procurar um médico. Isso é essencial para a sua saúde e para o bebê, que estará em perigo se sua melancolia ou depressão pós-parto se transformarem em psicose. Buscar um psicólogo ou um psiquiatra quando tem depressão é a mesma coisa que consultar um gastroenterologista quando se está com dor de estômago. Não tenha preconceito.

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Fernanda Ferrari Trida

Fernanda Trida é jornalista, médica veterinária, dona de casa, esposa, mãe de Marcela, com três anos, e de João, com um ano de idade.