Estudos mostram que os filhos herdam a inteligência das mães. Será?

Alguns pesquisadores concluíram que a mãe tem um percentual de responsabilidade pela inteligência dos filhos. Mas, e os pais? Veja o que dizem outros estudos.

Erika Strassburger

Um artigo sobre o caráter genético do fator inteligência, publicado no Psicology Spot pela psicóloga e autora de artigos científicos, Jennifer Delgado, baseado em alguns estudos científicos, defende que as crianças são propensas a herdar a inteligência das mães. Segundo a autora, isso acontece porque os genes da inteligência estão localizados no cromossomo X.

Como chegaram a essa conclusão

Um dos primeiros estudos citados pela autora foi feito em 1984 pela Universidade de Cambridge. Os pesquisadores descobriram que “os genes maternos contribuem mais para o desenvolvimento dos centros de pensamento no cérebro”.

Eles chegaram a essa conclusão estudando ratos modificados geneticamente. Eles perceberam que “aqueles com uma dose extra de genes maternos desenvolveram uma cabeça e cérebro maiores, mas tinham corpos pequenos. Por outro lado, aqueles com uma dose extra de genes paternos tinham cérebros pequenos e corpos maiores.”

Analisando melhor essas diferenças, eles identificaram células que continham apenas genes maternos e paternos em diferentes áreas do cérebro. As células que continham genes paternos se acumulavam na área do cérebro responsável por garantir a sobrevivência do indivíduo e relacionada a funções como sexo, alimentação e agressão. No entanto, “não foram encontradas células paternas no córtex cerebral, onde são desenvolvidas as funções cognitivas mais avançadas, como inteligência, pensamento, linguagem e planejamento”.

Jennifer citou outro estudo, feito na Escócia com mais de 12 mil jovens de 14 a 22 anos, que mostrou que o melhor preditivo de inteligência era o QI da mãe. Ao ser feita uma comparação do QI dos jovens com o de suas mães, notou-se uma variação média de apenas 15 pontos.

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Em 2003, um jornal português publicou uma matéria falando de um estudo nessa área realizado naquele ano por cientistas do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra e publicado no Journal of Biosocial Science da Universidade de Cambridge. Um membro da equipe que conduziu o estudo, Hamilton Correia, afirmou que “se tivermos uma mãe inteligente temos 80% de possibilidades de também sermos inteligentes”.

Mas a genética não é o único fator

Estima-se que de 40 a 60 por cento da inteligência seja hereditária. Isso significa que o percentual restante depende de outros fatores, como ambiente, estimulação e características pessoais. As mães podem contribuir também de outras maneiras para o desenvolvimento cognitivo dos filhos.

Amamentação

Um estudo de 2015, feito no Rio Grande do Sul pela Universidade Federal de Pelotas e pela Universidade Católica de Pelotas, e publicado no periódico The Lancet Global Health, analisou 3.500 pessoas durante 30 anos, e descobriu que os bebês que foram amamentados por mais de um ano tornaram-se, aos 30 anos, adultos com QI mais elevados do que os que foram amamentados por menos de um mês.

Vínculo afetivo

Além da amamentação, outros meios de criar vínculo entre mães e filhos são os toques suaves, o afeto, o diálogo, o apoio, as brincadeiras, a atenção, entre outros.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, descobriram que “as crianças que desenvolveram um forte vínculo com suas mães desenvolvem a capacidade de jogar jogos simbólicos complexos aos 2 anos, são mais persistentes e mostram menos frustração durante a solução de problemas”.

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Esse vínculo é importante porque proporciona à criança a segurança e confiança necessárias para explorar o mundo, para solucionar problemas e desenvolver seu potencial.

E os pais?

Apesar dos resultados dessas análises genéticas (embora alguns pesquisadores discordem) e da importância do vínculo afetivo entre mães e filhos; os pais exercem enorme influência na vida dos filhos.

Estudos mostram que a ausência da figura paterna pode acarretar em prejuízos para o desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, além de dar origem a distúrbios de comportamento. Por outro lado, a presença do pai proporciona confiança e independência. “O modelo masculino é fundamental para o desenvolvimento saudável da identidade dos meninos e também das meninas”, diz este artigo.

Um relatório, publicado pelos ativistas Men Care, analisou 700 estudos sobre a importância dos pais no desenvolvimento dos filhos e concluiu: “Quando os homens assumem o papel de ‘cuidador’, pesquisas mostram que o envolvimento do pai afeta a criança da mesma forma que o envolvimento da mãe. O envolvimento dos pais foi ligado a um maior desenvolvimento cognitivo e melhor desempenho na escola, mais saúde mental para meninos e meninas e taxas menores de delinquência entre os filhos”.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.