Como lidar com uma criança com dificuldade para comer

Veja o que pode ser feito para despertar o apetite do seu filho.

Erika Strassburger

Por experiência própria, sei o quanto dói para os pais verem seus filhos comendo quase nada de alimentos nutritivos. A preocupação com a sua saúde leva-nos, muitas vezes, a forçá-los a comer à base de brigas e chantagem. Isso acaba gerando um estresse durante as refeições e o efeito acaba sendo contrário. “A hora da refeição deve ser um momento neutro. Não é hora de opressão, de despejar as tensões. Que seja apenas o momento da alimentação”, diz o nutrólogo e pediatra Mauro Fisberg.

Desde os dois anos de idade, meu filho caçula reluta muito em comer comida. Até poucos meses atrás, ele sentia muita dor abdominal, que se intensificava durante e após as refeições. Ele começava a comer com uma carinha assustada, pois sabia que iria doer. Hoje em dia, ele quase nem se queixa de dor, mas a apreensão na hora das refeições ainda é a mesma. Por isso, ele acaba comendo pouco e muito rápido.

Dei esse exemplo para ilustrar que nem sempre uma criança recusa comida, ou come pouco, porque não gosta de comer ou não tem apetite. A perda de apetite pode ser sintomas de várias doenças, como anemia, hepatite, problemas digestivos e de fundo emocional, entre outros. Por isso, se seu filho não está se alimentando direito, é bom levá-lo ao pediatra. Ele fará uma avaliação, solicitará alguns exames e, se necessário, o encaminhará para outros especialistas.

Descartadas quaisquer causas orgânicas ou emocionais para a falta de apetite do seu filho, veja o que você pode fazer para lidar melhor com esse dilema:

1. Não ponha comida demais no prato dele

É um erro pensar que ele precisa de muita comida. Ele precisa do suficiente. Além do mais, o estômago dele é bem menor do que o nosso. Ele precisa comer mais vezes ao dia, em porções menores. Calcule a quantidade diária de calorias que seu filho precisa no site Web Laranja. Depois, use a calculadora de calorias dos alimentos para calcular o quanto ele precisa diariamente, e montar o cardápio. Lembre-se de que as refeições precisam ser balanceadas.

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2. Estipule horários fixos para as refeições principais

Cuide para que ele não fique “beliscando” antes do almoço e do jantar. Senão, não terá fome mesmo.

3. Ofereça alimentos gostosos e atrativos

Tempere o alimento, dê cor aos pratos. Você pode estimulá-lo a comer fazendo pratos divertidos. Clique neste link para ver algumas ideias criativas.

4. Procure identificar se ele rejeita algum tempero ou alimento

Não desista facilmente quando ele recusar determinados alimentos. No entanto, depois de várias tentativas para fazê-lo comer, sem sucesso, você precisa ter consciência de que não deve mais dá-lo a ele, caso contrário, continuará rejeitando a comida.

5. Evite a “monotonia alimentar”

Não tem como comer com prazer a mesma coisa todos os dias. Ofereça um cardápio variado.

6. A partir de 1 ano seu filho já pode comer o mesmo que a família

Imagine como ele vai olhar para o prato com creme de espinafre, depois de sentir o cheiro delicioso do bife ao alho e óleo que você preparou para o restante da família.

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7. Faça do horários das refeições momentos agradáveis

Boas conversas e sorrisos, nessas horas, ajudam a criar um clima de alegria e tranquilidade. A criança se sentirá bem, vai querer ficar mais tempo na mesa e acaba se alimentando melhor.

8. Evite distrações

Algumas crianças param de comer para assistir TV, caso ela esteja ligada durante as refeições. Outras esquecem de comer para brincar com o brinquedo que levou para a mesa.

9. Se ele não comer durante a refeição, não lhe dê uma guloseima quando ficar com fome

Muitas crianças usam essa estratégia, comem pouco e dizem não querer mais. Pouco tempo depois se queixam de fome. Os pais ficam com pena e dão o que eles querem. Guarde o prato com a comida que sobrou na geladeira e ofereça assim que estiver com fome. Se você não ceder, ele desistirá de fazer isso.

Os nutricionistas alertam que “as mães que insistem em dar suplementos nutricionais, sem orientação, podem estar contribuindo para que seu filho torne-se um obeso. Pois a energia extra que a criança está recebendo, sem precisar, passa a se acumular em seu tecido gorduroso.” Por isso, não tome atitudes desta natureza sem antes consultar o pediatra ou nutricionista.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.