3 propósitos de nossas imperfeições que nos ajudam a fortalecer nossa fé no Senhor

O Senhor deu-nos fraquezas para que nos tornássemos humildes. E Sua graça basta a todos aqueles que reconhecem que precisam Dele e se voltam a Ele.

Erika Strassburger

Há muitos anos, assisti a uma reportagem sobre uma moça que milagrosamente sobreviveu depois de despencar de uma grande altura de um prédio. Lembro-me de poucos detalhes do episódio, mas jamais me esqueci de seu depoimento.

Durante a entrevista, deitada em um leito de hospital, ela falava duramente contra si mesma, sobre a forma distorcida como costumava se ver. Ela disse que antes do acidente era uma moça linda, cheia de oportunidades e com um futuro promissor, porém muito orgulhosa e ingrata. Vivia encontrando defeitos em si mesma, não gostava de algumas partes do seu corpo e estava sempre se queixando da vida.

A queda causou-lhe muitas fraturas e lesões, e ela estava muito debilitada. Mas admitiu que precisou passar por tudo aquilo para começar a dar valor à vida.

Refleti bastante sobre aquilo. Aquela jovem, que teria ainda muitas provações pela frente, estava feliz por ter sobrevivido, principalmente por considerar a sobrevivência como a segunda grande chance da sua vida. A chance de mudar, de passar a ver a vida com outros olhos.

Muitas pessoas – devido a um acidente ou a uma enfermidade grave, ou porque nasceram assim – têm grandes desafios diários devido às suas limitações físicas e mentais. A verdade é que todos temos imperfeições. A forma como as encaramos fará toda a diferença no modo como conduziremos nossa vida, no tipo de vida que teremos na mortalidade e no nosso destino final.

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O renomado cardiologista norte-americano e líder religioso Russell M. Nelson disse: “Espíritos extraordinários muitas vezes são abrigados em corpos imperfeitos. A dádiva de um corpo assim pode na verdade fortalecer a família à medida que os pais e irmãos edificam de boa vontade a sua vida em torno daquele filho nascido com necessidades especiais.”.

Veja como podemos fortalecer nossa fé no Senhor, diante do desafio de conviver com nossas próprias limitações e/ou as de nossos filhos ou familiares:

1 – Aprender sobre o amor de Deus e a expiação de Jesus Cristo

Mesmo em meio à dor física, à dificuldade de executar as tarefas mais simples, à decepção ou depressão, sempre haverá uma luz. Ela pode ser vista por todo aquele que desejar abrir seus olhos espirituais.

Precisamos nos lembrar de que podemos contar com um ser supremo, nosso Pai Celestial, que nos ama e entende o que sentimos. Ele enviou Seu filho Jesus Cristo, o nosso Salvador e Redentor, que tomou sobre si as nossas enfermidades. Isto é, Ele sentiu na pele tudo aquilo que já sentimos ou sentiremos.

Ao estudarmos sobre a vida e a Expiação de Jesus Cristo, nossa tristeza e decepção serão substituídas por fé e gratidão. Saberemos que Ele nos entende e sabe como nos curar. Nosso corpo físico pode não ser curado na mortalidade, mas o espírito pode ser desperto para as verdades eternas e ser curado. Saberemos que o tempo de vida na Terra é pequeno demais comparado a tudo o que temos pela frente, depois desta vida.

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2 – A esperança gloriosa da ressurreição

Graças à expiação de Jesus Cristo, teremos uma dádiva grandiosa: a ressurreição. Ressurreição é a “reunião do corpo espiritual com o corpo físico, de carne e ossos, após a morte. Depois da

ressurreição, o espírito e o corpo jamais se separarão e a pessoa será imortal. Todos os que nascem na Terra serão ressuscitados porque Jesus Cristo venceu a morte.” (Veja mais em Lucas 24:39 e Atos 24:15)

Uma das grandes dádivas relacionadas à ressurreição é que todas as deficiências físicas e mentais ficarão para trás.

3 – Uma vida mais espiritual e humilde

Por incrível que pareça, as fraquezas, dificuldades e limitações são para o nosso bem. Elas existem porque Deus quer que nos lembremos Dele, quer que sejamos mais humildes e nos tornemos pessoas melhores em todos os aspectos.

O nascimento do meu filho primogênito com Síndrome de Down não nos trouxe decepção ou tristeza, mas alegria e gratidão. Porém, do sétimo mês de vida em diante, grandes desafios começaram a surgir. Descobrimos que ele havia nascido com um importante estreitamento no esôfago. Até descobrimos a estenose, ele havia tido muitas pneumonias por aspiração. Ele só conseguia engolir líquidos e acabou emagrecendo muito. Com um ano de vida, ele pesava seis quilos e meio.

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De lá para cá, ele teve outros problemas de saúde (coração, visão, audição, entre outros), sem contar as dificuldades com a coordenação motora e o aprendizado, típicas de portadores dessa síndrome.

Durante esse e outros períodos de dificuldade em que exerci grande fé no Senhor, pude experimentar mais fortemente Seu amor e tornar-me mais humilde e empática. Sei que minhas orações foram ouvidas. Deus respondeu a cada uma delas. Nem sempre as respostas eram as que eu desejava, mas sempre foram para o meu bem.

Tenho plena convicção de que se mantivermos vivas na lembrança as promessas da vida eterna – levando a sério tais promessas, ou seja, abraçando a verdade e comprometendo-nos com ela – teremos mais força, proteção, coragem, otimismo e fé para prosseguir nessa jornada mortal, apesar de nossas limitações. E o que virá depois desta vida fará todo o sacrifício ter valido a pena.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.