Você já jogou pião? E seus filhos, sabem o que é isso?

Leia e inspire-se a fazer com que seus filhos saiam da rotina dos videogames e descubram a alegria da infância com brinquedos antigos que precisam de habilidades e truques.


Luiz Henrique dos Santos

Este artigo foi publicado primeiramente no blog do Montanha e republicado aqui com permissão do autor.

Esses dias nas minhas férias estava num evento familiar. As crianças e os adolescentes estavam simplesmente isolados num canto da casa e o motivo era o “famoso” X-Box. A briga era para quem jogava e qual seria a sequência.

Os mais velhos, como sempre, querendo fazer os mais novos esperarem mais, a cada hora mudando a regra dos acontecimentos.

Como eu sabia que as crianças estavam lá, levei algumas coisas com que eu brincava na minha infância e deixei no carro.

Após o almoço, a aglomeração ao redor do videogame era maior. Então fui ao carro e escolhi o “pião”, dei uma olhada se a fieira estava em condições em função do tempo parado e levei para a aglomeração.

Chegando lá, chamei os mais novos, de 5 a 6 anos, e perguntei:

  • Vocês sabem o que é isso?

Olharam ansiosos sem saber o que era. Nisso meu irmão mais velho disse:

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  • Nossa! Há quanto tempo não via um desse.

  • O que é isso? – questionou o Diego das crianças ansiosas.

  • Pois bem, isso é um “Pião” e essa pequena cordinha, é a fieira.

  • Pião? – questionou minha filha Gaby dando risada ao estranhar o nome.

  • Já que estão interessados, vocês sabem o que isso faz?

Com cara de espanto, um olhava para o outro a fim de saber o que era aquele pedaço de pau, roliço, com uma ponta de prego e uma cordinha de 1,5 metros. Depois de tanto hesitarem, um deles pediu para pegar na mão. E começou a analisar aquele objeto outrora estranho. E assim as demais crianças ficaram olhando, e ia passando o pião de mão em mão. Nessa hora já não tinha apenas as crianças ao redor. O Alexandre, um dos adolescentes, rabujento por eu ter tirado a sua plateia no X-Box, resmungou:

  • Isso é um brinquedo do tempo do “zaguaio”, ainda bem que os tempos mudaram. Nossa geração é uma geração que está pronta para superar mais limites e por isso não brincamos com essas coisas tolas!

  • Não eram brinquedos tolos, eram brinquedos acessíveis àquela época! – Entrou o Rodrigo, um adulto, na conversa.

Vi que a discussão iria tirar o foco daquele momento de descoberta para os mais novos e então resolvi findá-la com uma breve explicação ao adolescente:

  • Crianças, isso sim é um brinquedo, como ele disse! É dos tempos do “zaguaio”, sim também! Mas não é uma coisa tola. Afinal vocês acham que brincar é uma coisa tola?

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  • Não! Não! Não! Não! – As crianças responderam com firmeza e ainda sorriam para Alexandre que resmungou sobre o brinquedo e se encolheu no canto.

  • Isso daqui – peguei o pião da mão das crianças – não serve apenas para brincar. Isso serve para aprender, isso serve para se concentrar, isso serve para ter foco e serve para se divertir muito. Quando vocês tiverem a idade do Alexandre – continuei olhando para ele -, vocês terão muito mais conhecimento, por exemplo, em física. Irão entender um pouco sobre energia cinética, energia estática, inércia, força, equilíbrio de sistema e ainda que tal um pouco de aerodinâmica? – Alexandre era péssimo em Física.

  • Nossa tio, eu aprendo tudo isso com esse brinquedo? Deve ser muito caro, né? – Me questionou o pequeno Vinícius.

  • É sim muito caro, Vi, custa uns 10 reais. E se não achar lugar que venda acho que dá até pra fazer um.

  • E como se brinca com ele?

  • Vou tentar, pois já fui bom nisso…

Pedi um espaço para as crianças e expliquei que era ser seguro e comecei a enrolar a fieira no pião. Quando criança, eu enrolava de duas formas diferentes, mas não lebrava em qual eu era melhor. E também havia me esquecido se eu lançava o pião normalmente ou de ponta-cabeça. Na primeira tentativa, já com todos na minha plateia, eu dei uma volta na cabeça do pião e deixei apenas 10 cm para que eu puxasse. Lancei o pião na posição normal e então ele caiu no chão de cabeça pra baixo e ficou girando por interminável quase 1 minuto.

Alguns adultos riram, mas minha mãe ponderou:

  • Pelo tempo que você não joga, até que ele girou!

Não hesitei, peguei o pião novamente e enrolei-o de maneira diferente, da segunda maneira a fieira para por cima da cabeça, como se o pião não tivesse cabeça, e sobra menos fieira para lançar. Então eu resolvi dar 2 voltas a menos no pião para dar segurança. E vamos lá para a segunda tentativa. E lanço o pião de ponta cabeça.

Ao cair no chão ele deu uma leve quicada com sua ponta e na segunda quicada ele ficou girando. Como com a ponta gera menos atrito, foram intermináveis 2 minutos girando de pé. Rolou até alguns aplausos. Mas o que fez eu ganhar o dia foi o olhar daquelas crianças vidradas olhando o pião rodopiar. Ao terminar de girar e cair ao chão, as crianças já pediam para eu ensinar como que fazia aquilo.

Disse que iria explicar, mas ainda tinha que lançar uma vez para mostrar algo legal pra eles. Enquanto preparava o pião para mais uma tentativa, disse para todos que acompanhavam.

  • Já fui bom nisso, vou tentar fazer, pode ser que não dê certo!

Ao dizer isso, prendi a atenção de todos. Enrolei o pião como a segunda vez e lancei-o ao chão com um pouco mais de força, para que ele rodopiasse mais rápido e por mais tempo. E foi assim que aconteceu. Ao começar a girar no chão, passei a fieira ao seu redor, lacei ele e puxei o pião ao alto. Mais ou menos na altura da cabeça. Soltei a fieira e aparei o pião na minha mão. E fiz ele terminar de girar na minha mão, mostrando para todas as crianças…

Aquela tarde, o tema, as aulas, as tentativas, e a diversão ficaram garantidas com aquele pião.

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