Senhor, porventura sou eu?

Somente a mudança de coração faz com que sejamos convertidos. O orgulho e a falta de autoanálise nos distancia de ser um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo.


Sandro A Correa

O significado da palavra conversão é transformação. Ninguém pode ser convertido se não houver uma mudança de dentro para fora, ou seja, a mudança deve acontecer através dos pensamentos vindos do coração convertidos na busca de novos atributos e atitudes para definir um novo comportamento.

O ser humano em geral é crítico, felizmente podemos utilizar nossa capacidade para diferenciar a crítica que nos ajuda a crescer da crítica injusta e destrutiva; porém pior do que a crítica em geral é a hipocrisia de quem faz a crítica. Ninguém gosta de ser criticado, principalmente sabendo que a crítica parte de alguém que geralmente impõe ideias e afirmações daquilo que na maioria das vezes não vivencia.

Jesus Cristo sabia muito bem o que isto significava quando em muitas ocasiões definiu o comportamento daqueles que eram seus principais críticos, os escribas e fariseus, em hipócritas. Mateus 23 nos dá uma amostra disso.

Lembro-me de uma história contada sobre a parábola da vidraça em uma reunião que participei.

Havia um casal que acabara de se mudar para um novo bairro. Logo na primeira manhã, ao tomarem o desjejum, a esposa comentou com o marido: “Que lençóis sujos pendurados no varal de nossa vizinha, se tivesse intimidade ensinaria a ela como lavá-los”.

Passada uma semana, o comentário da esposa se repetiu: “Que lençóis sujos pendurados no varal de nossa vizinha, se tivesse intimidade ensinaria a ela como lavá-los”. (O marido observava em silêncio).

E assim foi sucessivamente até que em certa manhã, para a surpresa da esposa, que se surpreendeu ao ver os lençóis brancos e muito limpos pendurados no varal de sua vizinha. “Nossa querido! Parece que nossa vizinha finalmente aprendeu a lavar seus lençóis”.

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O marido desta vez quebrou seu silêncio dizendo: “Não, querida, pelo contrário, hoje pela manhã acordei mais cedo e dei uma boa limpada na vidraça de nossa janela!”.

Muitas vezes agimos desta forma ao criticar os erros e atitudes de outras pessoas. Será que não erramos também ou será que o erro não está em mim para determinadas atitudes de outras pessoas?

Se realmente desejamos ser convertidos ou transformados em uma nova pessoa precisamos mudar nossa forma de pensamento, buscar novos atributos e colocá-los em prática através de nosso comportamento. Primeiramente:

– Não devemos julgar

O julgamento deve sempre acontecer dentro de um contexto e por mais que a pessoa seja qualificada para julgar, pode ocorrer julgamentos injustos ainda que amparado pela lei. Sabemos que o mais qualificado, justo e sem qualquer precedente e procedente de erros e imperfeições para realizar qualquer tipo de julgamento foi somente um único homem que viveu nesta terra, e este foi Jesus Cristo, Ele nos mostra através de seu conhecimento e ensinamentos como proceder, vejamos em Mateus 7:1-5:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.”

– Devemos avaliar o nosso próprio comportamento

Em Mateus 26:21-22, exatamente em um momento crucial, na véspera da crucificação, onde Jesus Cristo junto com seus apóstolos partilhava o pão, Jesus Cristo disse: “Em verdade vos digo que um de vós me há de trair.” Ao que cada um de seus discípulos disseram: “Porventura sou eu, Senhor?”

Geralmente o orgulho impede que façamos nossa própria avaliação, na maioria das vezes temos a tendência de nos julgarmos melhores que o nosso próximo. Dieter F. Uchtdorf afirma que: “Devemos pôr de lado nosso orgulho, ver além da nossa vaidade e, em humildade, perguntar: ‘Porventura sou eu, Senhor?'”

Podemos nos converter se desejarmos mudar nossos pensamentos e principalmente nosso coração. Se começarmos colocar em prática em nosso comportamento estes dois princípios descritos acima, estaremos no caminho certo para a conversão, notaremos uma mudança não somente em nós, mas dentro de todo um contexto, o relacionamento com o próximo será melhor, o casamento será edificante, o trabalho será produtivo e agiremos realmente como discípulos de Jesus Cristo. Apenas precisamos começar e perguntar a nós mesmos: “Porventura sou eu, Senhor?”

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Sandro A Correa

Sandro A Correa é graduado em Farmácia, pós-graduado em Fisiologia - UEL e Empresário do ramo de seguros. Natural de SCS - São Paulo; Casado, pai de dois filhos, tem como hobby a prática do tênis.