Perdão: Cura para os erros e esperança para uma vida melhor

Conseguir perdoar as ofensas é mais do que dar ao outro a oportunidade de ser feliz e sentir-se livre da ofensa, é dar a si próprio a mesma condição.


Beth Proenca Bonilha

Quando alguém nos magoa, nos afronta ou persegue a primeira reação que nos vem é a de revidar, fazer justiça e não permitir que os sentimentos de dor fiquem somente em nosso coração. Parece justo que o outro também sinta a mesma medida de dor que se sente pela ofensa feita.

Esse sentimento fez com que criassem a lei de Talião, que consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena, apropriadamente conhecida também como retaliação. Foi inspirado nessa lei que surgiu a expressão “olho por olho, dente por dente”. O primeiro registro da aplicação dessa lei é da Babilônia de 1700 antes de Cristo.

Na verdade podemos dizer que o homem traz dentro de si, por sua natureza carnal, o sentimento de vingança e de imaginar que pode amenizar sua dor se causar dor a quem o ofende.

Mas isso não é verdadeiro, e aprendemos isso com a mensagem de paz de homens como Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Martin Luther king, Madre Tereza e tantos outros que pregaram a paz contra a violência.

Falaram do perdão como arma contra a violência e a injúria, falaram do sentimento de paz que o perdão traz à pessoa que escolhe este caminho ao da lei de Talião.

Quando crianças brincam é só aguardar que em pouco tempo possivelmente surjam atritos, choro e brigas, porém, se aguardar um pouco mais, o cenário será novamente o de crianças brincando e se divertindo como se nada tivesse acontecido.

Se forem indagadas posteriormente sobre o que estavam fazendo certamente relatarão as brincadeiras e coisas positivas que elas proporcionaram. Crianças sabem perdoar instintivamente.

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Sentimento que o perdão promove

Quem perdoa sai do atrito sem levar consigo o peso da ofensa, esse peso promove dor e instiga violência e frustração, além de promover oportunidades de crescimento para os envolvidos.

Quando nos sentimos ofendidos a melhor escolha é tentar entender as circunstâncias e avaliar se houve intenção de ofensa por parte da outra pessoa; ficaremos surpresos ao agir assim, pois muitas vezes iremos perceber que a pessoa não quis ofender, mas nós é que escolhemos nos ofender e manter esse sentimento.

Se ao analisar, concluir que houve intenção, ainda assim, temos duas escolhas: a de levar conosco o peso da ira, raiva e dor ou de nos livramos de tudo isso simplesmente perdoando.

A vida é muito curta para vivermos com mágoa e dor no coração, pois sentimentos desse tipo evitarão que sejamos complemente felizes.

Dicas para perdoar ofensas e injustiças

Não há uma receita com ingredientes e medidas exatas para conseguir aplicar a lei do Perdão ao invés da lei de Talião, mas algumas escolhas e ações podem fazer a diferença na vida de quem deseja viver sem o peso da revolta ou desejo de retaliação.

Empatia

  • Uma ação que pode ajudar a perdoar ofensas é olhar para o ofensor com empatia, ou seja, colocando-se em sua condição, em seu lugar e circunstâncias. A empatia pode ajudar a ver a situação e os fatos através dos olhos de quem causou injúria ou violência. E assim conseguir ver suas limitações e condição psicológica ou mesmo cultural.

Desejo de perdão

  • Sabe-se que todos são vulneráveis a cometer erros e isso nos coloca em igualdade perante a possibilidade de errar contra outra pessoa e de precisarmos de seu perdão para que assim possamos deixar de carregar o peso da culpa em nossos corações. Sabendo desta limitação humana e da fragilidade de todos, olhar para o outro e desejar o perdão pode favorecer a escolha de perdoar também.

Conseguir perdoar as ofensas é mais do que dar ao outro a oportunidade de ser feliz e sentir-se livre da ofensa, é dar a si próprio a mesma condição, condição esta que ninguém mais pode oferecer a não ser a própria pessoa que sofreu a ofensa. Essa é a lei do perdão e suas consequências são a liberdade para viver uma vida melhor e esperança de cura de muitas dores.

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Beth Proenca Bonilha

Graduada em Administração de Empresas com MBA em Empreendedorismo. Casada mãe de 6 filhos, avó de 2 netos. Atua profissionalmente como Analista Instrutora da Educação Empreendedora no SEBRAE - SP. Como hobby gosta de artesanato, música e leitu