Pais descobrem que seus bebês foram trocados na maternidade; três anos depois, uma cena dramática os fez desistirem de destrocá-los

Achamos que coisas assim acontecessem apenas na ficção... infelizmente, não.


Erika Strassburger

Uma matéria recente da BBC contou a história de duas famílias que viveram o drama de terem seus filhos trocados na maternidade. Os bebês nasceram em março de 2015, no Hospital Mangaldai, no Estado de Assam, no noroeste da Índia.

As famílias têm históricos e culturas bem diferentes: uma é mulçumana e a outra, tribal hindu.

A desconfiança

Shahabuddin Ahmed contou à BBC que uma semana após sua esposa, Salma Parbin, receber alta depois de dar à luz um menino, ela disse ao marido: “Este bebê não é nosso”. Ele replicou: “O que está dizendo? Você não deveria falar assim de uma criança inocente!”. Então, Salma explicou que havia uma mulher da tribo Bodo na sala de parto com ela, e que achava que os bebês haviam sido trocados.

O marido, em princípio, não acreditou. Mas a mãe tinha fortes razões para suspeitar. Ela disse que ficou em dúvida quando viu o rostinho de Jonait. “Lembrei do rosto da outra mulher na sala de parto, e ele lembrava ela. Dava para perceber pelos olhos – ele tem olhos pequenos, ninguém na minha família tem olhos assim”, disse Salma ao marido.

Confrontando o diretor do hospital

Ahmed levou as suspeitas ao diretor do hospital, que negou que isso tivesse acontecido. E ainda insinuou que Salma estivesse com problemas mentais. Ele, então, entrou com um pedido de acesso às informações sobre os bebês nascidos no dia e hora aproximada em que seu filho nasceu.

Passado um mês, o hospital entregou-lhe o nome de sete mulheres, entre os quais estava o da mulher tribal mencionada por Salma. Ele verificou suas informações e constatou as semelhanças entre os dois partos. Ambas tiveram meninos de parto normal que nasceram pesando 3 quilos, os partos tinham outras características similares e ocorreram com 5 minutos de diferença.

O contato com a outra família

O pai foi duas vezes até a cidade em que a mulher morava, mas não teve coragem de ir até sua casa. Então, decidiu escrever uma carta revelando as suspeitas de sua mulher, e escreveu o número do telefone para que ela entrasse em contato.

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Os outros pais, Anil e Shewali Boro, moram em uma cidade que fica a cerca de 30 km de distância. Eles deram ao filho o nome de Riyan Chandra. O casal nem sequer suspeitou que seu filho tivesse sido trocado, tampouco acreditava que aquilo fosse possível. Seus familiares pensavam o mesmo.

Mas as coisas mudaram quando viram Jonait

“Na primeira vez que o vi, percebi que ele se parecia com meu marido. Fiquei muito triste, chorei. Somos da tribo Bodo, não nos parecemos com outras pessoas de Assam ou com os muçulmanos. Nossos olhos são levemente puxados, nossas bochechas e mãos são mais cheinhas. Somos diferentes, temos características mongóis”, disse Shewali.

Quando viu Riyan, Salma soube na hora que era o seu filho e queria fazer a troca ali mesmo, mas Shewali não concordou.

Confrontando o hospital novamente

Ahmed voltou ao hospital e insistiu para que uma investigação fosse realizada. Eles interrogaram a enfermeira que trabalhou no dia do parto e concluíram que não houve qualquer irregularidade.

Então, Ahmed requereu um teste de DNA para sua esposa e filho, em agosto de 2015, que constatou não haver qualquer semelhança genética entre os dois.

O hospital não aceitou o resultado do DNA e Ahmed acionou a polícia em dezembro. A polícia investigou o caso, verificando os registros de nascimento no hospital e visitando as famílias.

Em janeiro de 2016, um novo teste de DNA foi solicitado. Desta vez, o sangue das duas crianças e dos dois casais seria analisado. Mas o laboratório se recusou a fazer o teste por conta de erros no formulário.

“Então, coletamos amostras novamente em abril do ano passado, eles foram testados em um laboratório na capital do Estado, Guwahati, e tivemos os resultados em novembro. Eles provaram que a acusação de Ahmed de que os bebês haviam sido trocados era verdade.”, disse o delegado que investigou o caso.

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Em vez de levar o caso à justiça, os casais – seguindo o conselho do delegado – pediram a um juiz que determinasse a troca das crianças, que, a essas alturas, já estavam com quase três anos.

Uma cena dramática

No dia 4 de janeiro deste ano, os casais foram ao tribunal para realizar a troca, mas não conseguiram. As crianças choraram, imploraram para não serem tiradas dos pais que as criaram.

Vendo aquela cena dramática, o juiz deixou as famílias decidirem o que fazer. Eles, de comum acordo, decidiram que continuariam com as crianças que haviam criado.

Salma contou à BBC que antes de irem ao tribunal fazer a troca, sua filha de 8 anos disse: “Mãe, por favor, não dê ele. Eu vou morrer se ele for embora”.

Ahmed reconhece que essa troca poderia afetar emocionalmente as crianças porque são pequenas demais para entenderem o que está acontecendo. Além disso, por serem de origem e religiões diferentes, haveria uma mudança brusca nos estilos de vida das crianças: idioma, cultura, hábitos alimentares, etc.

Como vai ser daqui para frente

Sobre ver seu filho biológico sendo criado em outra religião, Ahmed diz que Jonait é apenas uma criança, “é um presente de Deus, ele não é hindu ou muçulmano. Todo mundo vem da mesma fonte, do mesmo design. As crianças se tornam hindus ou muçulmanos aqui”. Eles decidiram deixar seus filhos escolherem o caminho a seguir quando forem maiores.

As mães certamente estão enfrentando um grande impasse emocional. Ao mesmo tempo em que estão apegadas ao filho que criaram, não conseguem aceitar facilmente que não poderão criar a criança que levaram no ventre.

A solução que as famílias encontraram até o momento foi promover encontros regulares para ficarem mais próximas e, de alguma forma, conseguirem estar presentes nas vidas de seus filhos biológicos.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.