Cuidar dos pobres é responsabilidade de todos

Entendendo a necessidade de cuidar dos pobres se realmente queremos ser chamados e contados como discípulos de Cristo.


João Martins

Se existe algo constante na história da humanidade é a pobreza. Sociedades ergueram-se e caíram e os pobres e necessitados raramente foram cuidados. No fundo, se olharmos para a nossa história, vamos ver que a sociedade sempre esteve dividida em classes – os ricos, a classe média, e os necessitados. Também é normal associarmos o sofrimento dos pobres a algo físico e material: não têm o que comer, não têm um teto para se abrigar, roupa para vestir, etc. Mas existe, também, uma carga emocional, e espiritual, muito grande – resultado dessa condição.

O Mestre e a pobreza

Jesus Cristo, durante o seu ministério terreno, dedicou a maior parte do seu tempo a cuidar dos pobres e aflitos. Em Lucas 4:18, o Senhor proclama: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”- a Sua grande prioridade era abençoar os necessitados e pobres de espírito. O próprio Salvador e Redentor nasceu no seio de uma família sem posses e numa cidade relativamente pobre. Ele cresceu no meio dos necessitados; talvez por isso Ele disse: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mateus 8:20). Ele cresceu e viveu o Seu ministério terreno, sem posses, sem riquezas, sem um teto permanente onde habitar. Apesar de Sua pobreza, Ele dedicou grande parte do Seu tempo a abençoar os pobres e aflitos.

Seguir Seu exemplo

Todos nós, que desejamos seguir o exemplo de Jesus Cristo, devemos, como Ele, ajudar os necessitados; como Jeffrey R. Holland “Talvez eu não seja responsável por meu irmão, mas sou irmão do meu irmão, e porque eu muito recebi, eu posso também compartilhar.”

Este pensamento é maravilhoso porque nos lembra que nós somos todos irmãos, Filhos de Deus. O nosso vizinho, ou o mendigo que pede na rua, pode não ser um rosto familiar, mas ele é nosso irmão em Cristo e nós devemos fazer o que pudermos para ajudá-lo. Podemos pensar que é insuficiente, que uma simples moeda ou pão não vão mudar o estado daquela pessoa, mas um sentimento irá crescer em nossos corações, algo maravilhoso que nos dirá que ajudamos, que nós fizemos a nossa parte.

Madre Teresa de Calcutá, em resposta a um jornalista que disse que a ajuda dela não nutria qualquer efeito na pobreza do local onde ela vivia, disse: “O que fazemos não é mais do que uma gota no oceano; mas, se não o fizermos, o oceano ficará com menos uma gota”. Pode não ser o suficiente para mudar o mundo, mas, pelo menos, fizemos o que pudermos.

“Ricos ou pobres, temos que fazer o que podemos quando outras pessoas estiverem necessitadas” Jeffrey R. Holland.

Nossa responsabilidade

Muitas vezes dizemos, ou ouvimos dizer, a simples frase “se eu pudesse eu ajudaria muito; daria muito aos pobres”; outras vezes exigimos que sejam os ricos a ajudar os pobres. Apesar de a ajuda de um rico ser, materialmente, superior à de uma pessoa mais pobre, é dever de todos ajudar os mais necessitados. Podemos não ter dinheiro suficiente para ajudar 10 ou 100 pessoas, mas podemos ter o suficiente para comprar um pão e oferecer a um pobre faminto. Podemos não ter o suficiente para abrigar uma família que ficou sem um teto, mas podemos doar roupas e calçado que já não usamos. Podemos não ter muito, mas podemos sempre fazer algo por nossos irmãos. O nosso Salvador ensinou isso mesmo, durante o seu ministério terreno. Ele abençoou os aflitos, alimentou os pobres e ensinou os seus discípulos, e a todos que o seguiam, que devemos olhar e cuidar dos necessitados e pobres de espírito.

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Fazer o bem sem ver a quem

Também devemos evitar fazer julgamentos sempre que alguém nos estende a mão. Por vezes somos rápidos a apontar o dedo e a dizer que foram eles que se colocaram nessa situação ou que vão desperdiçar a nossa ajuda em vícios. Em muitos casos isso até pode ser a realidade, mas, no fundo, quando paramos para pensar nas nossas próprias vidas, não somos todos nós mendigos? Muitas vezes nos ajoelhamos no chão e pedimos por algo, algo que vem de nosso coração – o nosso arrependimento e o perdão e a ajuda do Pai – ou pedimos por bênçãos para as coisas do nosso dia a dia; apesar de humildemente nos ajoelharmos e orarmos a Deus, devemos ter sempre algo em conta: “Nós obtemos a remissão de nossos pecados pedindo ao Senhor que com compaixão responde, mas nós retemos a remissão de nossos pecados respondendo aos pobres que nos pedem com compaixão.” Jeffrey R. Holland. O Senhor é um Deus justo e misericordioso; não podemos pedir ajuda para os nossos problemas espirituais, ou materiais, e negar a nossa ajuda a quem humildemente nos pede.

A nossa ajuda pode ser como uma simples gota num oceano de problemas, mas essa simples gota pode saciar a sede de um necessitado. O nosso ombro pode ser o conforto que um pobre aflito mais necessita para elevar o seu espírito. Um simples sorriso e um saco de pão podem mudar a vida de uma pessoa e abençoar uma família – o dia que começou escuro poderá tornar-se na mais bela manhã de primavera.

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João Martins

João Martins é um biofísico com uma paixão pelo ensino e busca de conhecimento. Podem enviar uma mensagem ou seguir no Facebook: https://www.facebook.com/joao.martins.1401 ou no google+ https://plus.google.com/u/0/+JoaoMartinsJPM/posts