Crescimento pessoal: O real valor da sinceridade

É preciso distinguir sinceridade de falta de educação e respeito a fim de que se desenvolva o real valor dessa qualidade na vida e nas relações.


Suely Buriasco

Segundo o dicionário Houaiss, sincero é alguém “que se exprime sem artifício nem intenção de enganar ou de disfarçar o seu pensamento ou sentimento“. A palavra vem do latim “sinceru”, isto é, puro.

Origem

O site Dicionário Etimológico cita uma versão, que também consta em outros dicionários, que na Roma antiga teriam empregado a palavra “sincero” no sentido de qualificar vasos feitos por artesões romanos. Vasos imperfeitos teriam seus defeitos cobertos por cera; já os perfeitos eram mais finos, quase transparentes e não tinham necessidade dessa forma de disfarce. Aos perfeitos diziam ‘sine cera’, ou seja, “sem cera”.

Caráter humano

O vocábulo alcança maior amplitude quando relacionado ao caráter humano, representando a qualidade de quem é leal, verdadeiro e franco. Sincera é a pessoa que não utiliza de disfarces ou dissimulações; assim como o vaso romano, é transparente em seus sentimentos e sua boca fala o que tem em seu coração. Sinceridade é atributo de alguém que valoriza a verdade e se compraz com ela.

Respeito

Mas há que se ter cuidado para não confundir sinceridade com falta de educação e respeito. O historiador, orador e político romano Públio Cornélio Tácito advertia que “A sinceridade e a generosidade se não forem temperadas com moderação conduzem infalivelmente à ruína“. Isso porque muitas pessoas no afã de serem sinceras ultrapassam os limites que representam o direito alheio. A pessoa verdadeiramente sincera tem por foco a qualidade própria e não o julgamento do outro. Ser sincero não é dizer coisas desagradáveis a alguém.

Confissão

A sinceridade também não pode ser confundida com desculpa diante do que se diz ou se faz sem pensar; não pode ser uma máscara para encobrir a violência verbal e a maledicência. A sinceridade é a confissão da própria alma; é acima de tudo um olhar para si mesmo. Seu valor repousa na qualidade do caráter de quem a tem e motiva relações de confiança e lealdade. Segundo o artigo escrito pela filósofa e escritora Márcia Tiburi: “É porque a sinceridade diz respeito ao universo próprio do que pode ser expresso por cada um em seus limites que ela jamais é absoluta, pois ninguém pode saber tudo de si, nem revelar tudo a outrem“. Dessa forma entendemos que a pessoa sincera é a que age de acordo com o que considera verdadeiro, entretanto, não é conhecedora da verdade absoluta e, portanto, não pode impô-la senão a si mesmo.

Autenticidade

A autenticidade é atributo de quem é íntegro e representa o grande valor de vivenciar a sinceridade em todas as ocasiões da vida. Entretanto, ser autêntico não significa dizer tudo o que lhe vai à mente, significa viver de acordo com as próprias concepções. Conservar a autenticidade é uma tarefa complexa, pois, corresponde a não se deixar levar por interesses menores e manter sempre o “eu interior” em sintonia com o “eu exterior”. Isto é, fazer exatamente o que pensa e fala sem nada temer.

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Suely Buriasco

Mediadora de Conflitos, educadora com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, apresentadora do programa Deixa Disso com dicas de relacionamentos. Dois livros publicados: “Uma fênix em Praga” e “Mediando Conflitos no Relacionamento a Dois”.