Amor obsessivo: como saber se seu relacionamento sofre disso

O comportamento pode se tornar um transtorno psiquiátrico e deve ser tratado, pois prejudica ambos. Aprenda a identificar esta relação nada sadia.


Evelise Toporoski

O amor é um sentimento lindo, que traz alegria, paz e até mesmo motivação para alcançar algo que se deseja. Contudo, quando o amor se torna exagerado, traz ansiedade, medo, insegurança e se torna doença.

O amor obsessivo é um transtorno psiquiátrico que precisa ser tratado, pois é prejudicial para ambas as partes. Caracteriza-se geralmente por um cuidado excessivo de uma das partes que deixa de viver a própria vida para satisfazer e dedicar-se ao outro. O desejo de agradar e estar presente é intenso e desesperador, tanto que traz ansiedade e até dor física. Isso faz com que o parceiro se sinta sufocado e incomodado com a situação. Do outro lado, a pessoa acredita que seu amor não é correspondido e que está sendo abandonado. Então, começa a ter reações, como escrever cartas quilométricas expressando seu amor ou ligando várias vezes por dia para ter atenção do amado.

Quando o amor vira doença

Este comportamento começou a ser estudado mais profundamente na década de 90, quando o assédio a tenista Steffi Graf tomou proporções perigosas.

Um de seus fãs tinha este amor obsessivo pela atleta, acompanhava todos os jogos, tinha pôsteres em todo seu quarto, mandava constantemente cartas para ela e sua mãe. Em uma partida do German Open, Steffi Graf foi derrotada por Monica Seles – e o mundo caiu para este fã. Ele contou que a derrota o abalou tanto que pensou em tirar a própria vida.

Mas ele fez pior: cravou uma faca nas costas da tenista Monica Seles, porque queria que Steffi voltasse a ser a número um do mundo.

Isso despertou diversos estudos, um deles desenvolvido na Universidade Darmstadt, da Alemanha, que entrevistou 100 stalkers (nomenclatura utilizada para pessoas com obsessão por outras) para entender o que os leva a este comportamento.

Perfil

Apesar da perseguição ser frustrada, 4 a cada 5 stalkers disseram que iriam continuar atrás de seus alvos, afinal, acreditam que suas vítimas também querem ficar com eles. O maior motivo alegado era que “eles estavam ligados pelo destino”.

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Apesar de terem seus motivos e objetivos claros, isso não os faz feliz. Mais de 60% deles tem depressão, e um terço sofria de ansiedade, já tendo acompanhamento médico ou psicológico.

Quanto mais próximo o relacionamento, mais perigoso é, sendo ex-parceiros os mais vulneráveis à perseguição.

Os primeiros sinais do amor obsessivo são:

  • Sentir uma falta terrível do parceiro por perto, sentimento tanto emocional quanto físico.

  • Quando está perto, quer dar de comer, vestir e cuidar do outro de maneira exagerada.

  • Quando está longe, quer manter o controle de todos os passos, por exemplo, liga 10 vezes por dia, cobrança acirrada para contar o que estava fazendo em todos os momentos.

  • Gasta tempo demais cuidando do outro e esquece de si mesmo.

Caso esteja em meio a uma situação dessas, busque ajuda profissional e instrua seu parceiro a buscar um psicólogo ou um médico. Se estiver correndo risco de vida, procure a polícia para que tenha uma determinação judicial para que a pessoa não possa se aproximar de você.

Neste estudo alemão, as vítimas também foram entrevistadas, e por estar em meio a esta situação estressante também acabam desenvolvendo algum distúrbio psicológico, como síndrome do pânico.

Por isso, quanto antes diagnosticar que sua relação não é mais saudável, procure ajuda profissional.

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Evelise Toporoski

Jornalista com experiência em redação de jornais e revistas. Mãe e esposa compartilhando experiências de vida!