O soluço com frequência pode indicar 3 doenças

O soluço esporádico não é problema de saúde, já o soluço frequente e refratário pode ser o sinal de que algo não vai bem no organismo.

Stael Ferreira Pedrosa

Poucas coisas são mais irritantes que uma crise de soluços. Aquele “ricap” contínuo faz qualquer um ir atrás de água ou um saquinho de papel para soprar dentro. Mas, afinal, o que é isso? Por que soluçamos?

O soluço acontece quando o diafragma – feixe muscular que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal se contrai em espasmos involuntários fazendo entrar ar no peito e, em seguida, o movimento de distensão e relaxamento expulsa o ar, causando um ruído característico, o tal “ricap”. Bebês estão mais sujeitos a crises de soluço, pois seu sistema nervoso imaturo não atua adequadamente sobre o diafragma. Idosos também são mais propensos aos espasmos.

Soluço benigno

São muitas as causas do soluço. Na maior parte das vezes é por comer ou beber em excesso, principalmente bebidas gasosas. Pode ser desencadeado também por ansiedade, estresse, mudança brusca de temperatura e tabagismo. Este é o chamado soluço benigno e, embora seja desagradável, ele passa e geralmente não volta, até que seja novamente provocado.

Soluço recorrente

Quando se tem crises recorrentes desses espasmos, isso pode ser sinal de que algo não vai bem no organismo. Quando se tem esse quadro de recorrência, há que se investigar as causas que podem ser:

  • Endógena – que sinaliza para problemas como excesso de sódio no organismo, insuficiência renal crônica, infecções ou tumores na base dos pulmões.

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  • Exógena – pode ser devida a traumatismos no tórax e pós-operatórios de cirurgias abdominais.

Doenças que causam soluços recorrentes

A fisiopatologia exata do soluço ainda não foi totalmente esclarecida. O que se sabe é que existe uma relação entre o nervo frênico, o aparelho respiratório e o hipotálamo entre outras estruturas neurais e anatômicas envolvidos no processo de soluçar, como a epiglote, laringe, músculo hioide, esôfago, estômago, músculos inspiratórios e o diafragma. O que explica o fato da fisiopatologia ainda não estar totalmente decifrada.

No entanto, já se sabe que algumas condições clínicas podem desencadear crises de soluço persistente, tais como:

1. Problemas gastrointestinais

Quando há problema gástrico, o soluço vem acompanhado de queimação no estômago e sensação de empachamento. São muitos os casos de soluços relacionados à dispepsia (má digestão), queimação epigástrica, pirose e azia. Boa parte dos casos de soluço tem relação com distúrbios como dispepsia, doença do refluxo, hérnia de hiato, entre outros.

2. Patologias que atingem a região

Se o soluço surge com dor abdominal que irradia para ombros, pode ser uma irritação diafragmática. Dor abdominal com irradiação pode indicar peritonite, pneumonia, abscessos, aneurisma de aorta, infarto agudo do miocárdio, pericardite, entre outros, pois as patologias que acometem a região do diafragma podem atingir o nervo frênico ou o nervo vago, podendo gerar soluço. Também tumores, bócio, cistos no pescoço, massas mediastinais, anormalidades do diafragma e doenças diafragmáticas – hérnia hiatal, refluxo gastresofágico, eventração diafragmática, abscesso subfrênico – e até a manipulação intraoperatória podem irritar direta ou indiretamente o nervo frênico.

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3. Problemas neurocerebrais

Qualquer irritação nos nervos frênico e vago, como corpos estranhos em contato com o tímpano, faringite, laringites, tumores de pescoço que estimulem o nervo laríngeo-recorrente, meningite, tumores de sistema nervoso central, Síndrome de Wallenberg, esclerose múltipla, siringomielia e AVC são possíveis causas de soluço.

Truques caseiros que funcionam

Segundo o Dr. Drauzio Varela, estes truques abaixo costumam funcionar muito bem para parar o soluço, mas caso não pare ou volte muitas vezes, procure ajuda médica.

  • Prenda a respiração por alguns segundos.

  • Engula uma porção de açúcar cristal (uma colher de chá), miolo de pão ou gelo moído.

  • Chupe uma fatia de limão.

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  • Respire repetidamente dentro de um saco de papel.

  • Faça gargarejos com água.

  • Puxe sua língua para provocar reações de vômito.

  • Coce o céu da boca com um cotonete.

  • Suspenda a úvula (campainha da garganta) com uma colher de chá.

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  • Erga os joelhos até o peito e incline-se sobre eles.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.