Como lidar com brigas de família

Irmãos que param de ser falar, filhos que guardam rancor de seus progenitores, desentendimentos constantes nas reuniões em família – como lidar com os conflitos que geram tanto desconforto a todos os familiares?

Erika Strassburger

As brigas de família podem surgir por diversos motivos: ciúmes, dinheiro, descaso, negócios familiares, choque de personalidades, rivalidade entre irmãos, etc. Esses conflitos poderão se estender por muitos anos e não serão solucionados enquanto alguém não der o primeiro passo.

No artigo A Família na Contemporaneidade e a Mediação Familiar, do site Mediação Brasil, lemos: “Muitos conflitos de natureza familiar são frutos de decepções e frustrações que surgem a partir da constatação de que as expectativas criadas em torno da relação não poderão ser satisfeitas. Em muitos casos, os compromissos firmados anteriormente dão lugar a intermináveis discussões. É comum os conflitos familiares também serem frutos de mal-entendidos. As pessoas não conseguem ouvir outros pontos de vista e argumentam aparentemente a mesma coisa, de modo diferente.” Há também o conflito aparente, aquele cuja causa não é aquela que motivou a briga. Tais razões são conhecidas como “a gota d’água”.

Quem se encontra numa situação de conflito familiar conhece muito bem as sensações ruins produzidas pela mágoa ou raiva sentidas pelo familiar. Sabe quão constrangedor é encontrá-lo em aniversários ou natais promovidos pela família e desejar que ele não estivesse lá. Isso quando a família se reúne e um deles acaba não sendo convidado. Em casos como esse a situação se agrava, pois a família acaba tomando partido de um deles. Ou então se divide em apoio a um e a outro.

Nas rixas de família todos saem prejudicados. Seus membros deixam de desfrutar plenamente da companhia uns dos outros, pois quando os familiares contendores estão presentes o clima de rivalidade acaba influenciando o ambiente. Quando eles não estão presentes, porém, fica uma lacuna que ninguém pode preencher. O desejo da família é que as brigas cessem e todos vivam em harmonia. Todos ganham com uma reconciliação.

Se estiverem ocorrendo brigas na sua família, veja a melhor forma de se posicionar na tentativa de resolver os conflitos:

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Se você estiver envolvido na briga

1. Tente uma aproximação

Se você deseja que um dia tudo isso acabe, saiba que é necessário que alguém dê o primeiro passo. Faça isso você mesmo. Inicialmente você pode escrever uma carta ou um e-mail. Expresse seu desejo de passar por cima de tudo e reconciliar-se com seu familiar. Convide-o para conversar pessoalmente.

2. Abra seu coração

Proponha uma conversa franca onde ambos ponham na mesa tudo o que motivou a brigar e o que estão sentindo com toda essa história. Ao exporem seus sentimentos, vocês constatarão que ambos saíram perdendo e que algo precisa ser feito para mudar tudo isso.

3. Use de empatia

Numa briga é comum que cada um defenda que tem a razão. Coloque-se no lugar do seu familiar. Tente lembrar detalhadamente o que você fez ou disse pra ele. Pense como você se sentiria se ele fizesse ou dissesse o mesmo para você. Só assim você poderá entender a profundidade dos seus sentimentos.

4. Entenda que as pessoas são suscetíveis a erros

Se mesmo depois de usar de empatia você estiver convencido de que não foi culpado na briga (tenha em mente o ditado popular “quando um não quer, dois não brigam”), não seja intransigente. Lembre-se da máxima “errar é humano”.

5. Lembre-se de que as pessoas podem aprender com seus próprios erros

Aprendemos com as cabeçadas que damos na vida. Tente tirar boas lições dos seus erros e dê a chance de seu familiar demonstrar que também aprendeu com os erros dele.

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6. Peça desculpas

Você pode pensar que não tem motivos para desculpar-se, mas tem. Ao permitir-se embarcar numa disputa, você acabou gerando sofrimento para muitos a sua volta, em especial o familiar com quem contendeu. Esse já é um bom motivo para desculpar-se. Se você foi responsável pela briga ou teve uma parcela de responsabilidade, confesse sua culpa ao seu familiar ao pedir-lhe desculpas.

7. Na medida do possível, corrija seu erro

Algumas brigas são motivadas por questões financeiras, como disputa de herança, dinheiro pego emprestado que não foi devolvido, etc. Se o motivo da briga foi dinheiro, faça a devida restituição. No entanto, se seu familiar cometeu um erro desta natureza e não tem meios para fazer a restituição, dê-lhe um prazo razoável para devolver o dinheiro, ou, se necessário, perdoe a dívida. É o que você esperaria que ele fizesse, caso estivesse na mesma situação.

8. Encontre um mediador para resolver os conflitos nos negócios

Se as brigas estiverem relacionadas aos negócios que vocês têm em comum, encontrem um mediador, que pode ser um advogado, um consultor financeiro ou outro profissional para analisar a situação da empresa e dar um parecer imparcial.

9. Vire a página

Façam as pazes e esqueçam o ocorrido. Toque suas vidas avante e tentem reconstruir um sentimento de amor e confiança.

10. Não espere tempo demais para agir

As pessoas não vivem para sempre. Busque uma reconciliação enquanto ela estiver por perto e lúcida. Muitas lágrimas derramadas sobre os túmulos provêm de arrependimentos oriundos de não se ter feito o que deveria enquanto a pessoa ainda estava viva.

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Se a briga não for com você

não fique parado assistindo seus familiares se digladiarem. Da mesma forma, jamais tome partido na briga. Você estará dando razão a uma das partes, o que contribuirá para que ela se sinta confortável na postura altiva que adotou. Tente ser o mediador numa reconciliação, encontrando meios pacíficos de resolver o problema.

Se você se sentir impotente na função de mediador, converse com o restante da sua família e peça ajuda. Se for necessário, busquem a ajuda de um terapeuta familiar.

Leia também: Como lidar com as rivalidades entre os irmãos.

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Erika Strassburger

Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.